Presidente Lula tem razão, “compromisso é com o crescimento e não com corte de gastos com o povo”
Em julho de 2026, o gasto com o pagamento dos juros pelo setor público chegou a quase 9% da relação dívida/PIB e soma R$ 1,15 trilhão nos 12 meses até julho de 2026, segundo dados do Banco Central, divulgados nesta segunda-feira (31). O setor público engloba União, Estados, municípios e estatais. Somente no mês de julho, a despesa com juros ficou em R$ 99 bilhões.
Em meio às eleições, como de praxe, os bancos – por meio de seus porta-vozes na mídia – tentam emplacar a narrativa de que o crescimento da dívida pública é culpa dos investimentos sociais e econômicos, ocultando o peso real da taxa básica de juros (Selic) sobre a dívida interna brasileira.
Fixada hoje em 14% pelo Banco Central (BC), a Selic é a principal responsável pelo crescimento da dívida pública. Cada ponto percentual a mais na Selic gera um impacto de R$ 63,3 bilhões em 12 meses na Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), estimada em 82,5% do PIB. No caso da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) – de 69,1% do PIB -, a soma chega a R$ 69 bilhões.
Em entrevista ao Jornal Nacional da Globo, na última semana, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que seu “compromisso é com o crescimento e não com corte de gastos com o povo”. Marcou posição o presidente, ao refutar a demanda do rentismo por cortes nos investimentos em Saúde, Previdência, Educação, Segurança, Defesa, entre outras áreas.
O candidato à reeleição também lembrou aos seus entrevistados que “a dívida pública brasileira não é tão grande assim. Veja as dívidas do Japão e dos EUA. A dos EUA é 120% do PIB, ou seja, US$ 40 trilhões”, disse Lula, ao destacar que, no caso de crescimento da economia, a relação dívida/PIB se estabiliza.
Em 2021, com o aval do governo Bolsonaro, o Banco Central (BC) tornou-se independente do governo – ou seja, do povo -, mas não dos bancos. O reflexo disso é a permanência da taxa Selic na casa dos dois dígitos ao longo dos últimos quatro anos. Hoje, a Selic encontra-se em 14% ao ano, o que impõe aos brasileiros uma taxa de juro real (após o desconto da inflação) superior a 10% ao ano – o maior juro real do mundo.










