“Precisamos encontrar uma maneira de reduzir os juros no país”, defende Lula

Lula fala sobre o futuro do Brasil em entrevista ao podcast Meteoro Brasil (Foto: reprodução do Youtube)

“O único gasto que a gente faz na verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de divida de juros. Esse é o gasto público. Então, nós precisamos encontrar uma maneira de reduzir essa taxa de juros”, destacou o presidente

O presidente Lula defendeu nesta quarta-feira (5), em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, que o governo encontre uma maneira de reduzir a taxa de juros. Para ele, o país tem que diferenciar o que é gasto e o que é investimento.

“Quando você cria teto de gastos, você está limitando a capacidade de investimento. Porque no Brasil nem sempre você sabe o que é gasto e o que é investimento”, disse o presidente. “Quando você aumenta o salário de uma grande empresa de comunicação, isto é gasto ou investimento? Quando nós colocamos dinheiro para Educação, é gasto ou investimento? Para a Saúde, é gasto ou investimento?”, indagou Lula.

“Quando você cria teto de gastos, você está limitando a capacidade de investimento. Porque no Brasil nem sempre você sabe o que é gasto e o que é investimento”

“O único gasto que a gente faz de verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de divida de juros. Esse é o gasto público. Então, nós precisamos encontrar uma maneira de reduzir essa taxa de juros”, acrescentou.

“O Banco Central é autônomo, ele tem autonomia. Agora. O que nós temos que fazer? Nós temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal, para não gastar aquilo que a gente não tem, e, ao mesmo tempo, você trabalhar para reduzir a taxa de juros”, apontou Lula. Ele defendeu que “se você controlar a inflação e você gastar o que tem que gastar, pode sobrar alguma coisa para você investir”.

“A outra coisa muito séria que nós vamos ter que definir é o seguinte. Eu posso fazer uma dívida para fazer um investimento novo? O que acontece no mundo empresarial? Vamos pegar um banco. O banco está tendo mais clientes e resolve, está sem dinheiro, e resolve tomar 500 milhões emprestado. Ele está se endividando. Isso é gasto? Não. Ele está pegando 500 milhões, vai fazer um investimento, vai ter uma nova sede, vai poder atender mais clientes e vai dar rentabilidade”, explicou Lula.

“O Estado é a mesma coisa. Se eu quiser construir alguma obra importante, que signifique trazer benefício para o país, uma estrada, uma ferrovia, isso é gasto ou investimento? É investimento”, afirmou o presidente. “Então, se o Estado tiver que fazer uma dívida por isso, pode fazer”, defendeu Lula. “É que aqui no Brasil o Estado foi aprisionado pela Faria Lima’, denunciou.

É que aqui no Brasil o Estado foi aprisionado pela Faria Lima”

“Foi aprisionado e, então, começa janeiro, já vêm falando que o teto de gasto vai estourar, que a política fiscal não vai cumprir a meta. Passam o ano inteiro falando isso e ninguém discute o que nós vamos fazer para este país crescer”, prosseguiu o presidente.

Lula disse que tem uma pregunta no Brasil. “A gente nunca pergunta quanto custa não fazer as coisas na hora certa? Quanto custou o Brasil não alfabetizar o povo na hora certa. Quanto custou não comprar vacina na hora certa? Essa pergunta nós temos que fazer. Quanto custou a gente não fazer a reforma agrária quando o mundo inteiro faz na década de 50, depois da segunda guerra mundial? Quanto custou a gente não formar muita gente em matemática e engenharia, que a gente poderia ter formado?”, indagou.

“É essa discussão que eu quero fazer no meu quarto mandato”

“Então, é essa discussão que eu quero fazer no meu quarto mandato. Ou seja, o Brasil tem que dar um salto de qualidade porque a base já esta construída, as pessoas já estão comendo, nós temos o menor desemprego da história do Brasil, nós temos o maior número de jovens nas universidades. Então agora a gente está num patamar que a gente pode dar um salto de qualidade”, argumentou o presidente. “E a sociedade tem que ser convidada a dar o salto de qualidade”, destacou.

Então agora a gente está num patamar que a gente pode dar um salto de qualidade”

“Quando eu falo, por exemplo, em investir em defesa, eu estou investindo em tecnologia, eu estou investindo em emprego, eu estou investindo em mais meninos que vão ter que se formar em engenharia e matemática para produzir as coisas de defesa que o mundo inteiro tem”, argumentou. “Um país do nosso tamanho não fabrica drone, e o mundo inteiro agora só fala em drone. Como é que a gente vai controlar 16 mil quilômetros de fronteira se a gente não tiver drone?”, indagou Lula.

“Um país do nosso tamanho não fabrica drone, e o mundo inteiro agora só fala em drone”

“Essas coisas a gente tem que pensar sempre pensando no futuro do país, pensando em criar oportunidade de trabalho para a juventude brasileira, porque quando eu coloco um menino para estudar, ele quer saber, a primeira questão é que quero estudar. Aí, você coloca ele para estudar, aí ele pergunta, o que eu vou fazer depois de formado? Aí você tem que fazer a economia crescer para gerar oportunidade de emprego que eles precisam”, observou Lula.

Ele falou sobre a tecnologia. “Nós temos que ter um projeto nosso. Nós criamos um Conselho Nacional para cuidar da questão das terras raras e minerais críticos. Eu já disse, a gente não vai continuar sendo exportador de minério in natura”, afirmou o presidente.

“Nós temos que ter um projeto de tecnologia nosso”

“Nós vamos transformá-lo aqui dentro, vamos aprender a fazer as coisas que temos fazer aqui dentro. E se tiver empresas estrangeiras que tenham expertise e queiram vir trabalhar conosco, ótimo. O que a gente não vai permitir e que venham navios aqui, encham 200 toneladas e levem para a terra deles e depois a gente vende baratinho e compra caro. Não. Isso se chama soberania”, afirmou Lula.

“Nós queremos ser donos do nosso nariz e queremos aprender a fazer o processo de transformação. Por isso eu tenho debatido a questão da educação. Nós temos que formar muito mais engenheiros do que estamos formando. Temos que investir muito mais em matemáticos do que nós estamos investindo. Vamos ter que mandar gente estudar lá fora. Vamos ter que ter milhares de jovens estudando inteligência artificial, para que a gente seja dono das coisas”, disse Lula. “Esse será um país que você vai ver nos próximos quatro anos”, apontou o presidente.

“Nós temos que formar muito mais engenheiros do que estamos formando. Temos que investir muito mais em matemáticos do que nós estamos investindo”

“Na questão de tecnologia, nós criamos uma faculdade de matemática no Rio de Janeiro. A gente pega as olimpíadas de matemática. Aquela meninada que ganha medalha de ouro, faz um vestibular com eles, que tiver melhor nota vai para essa faculdade de matemática, vai estudar, comer e dormir lá. Isso é para a gente formar matemáticos, sabe, para fazer um centro de excelência”, explicou Lula.

“É simples reconhecer. Não há nenhum país do mundo que se desenvolveu sem antes investir em educação e ciência e tecnologia. Então, se a gente quiser dar o salto que todo mundo sonha, é fazer a revolução educacional em um passo adiante do que nos fizemos até agora”, prosseguiu o presidente.

“Nós não queremos ficar dependendo de um único conhecimento. Nós queremos fazer acordo com a China, queremos fazer acordo com os EUA, com a França, com todo mundo, com quem tiver conhecimento e estiver disposto a trabalhar conosco, nós vamos trabalhar”, completou o presidente da República.

Assista a entrevista na íntegra

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