Premiê canadense determina retaliação a tarifaço de Trump

Para o primeiro-ministro do Canadá, "medidas injustas e antieconômicas colocam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo" (Andrej Ivanov - AFP)

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, comunicou neste sábado que, a partir de 8 de setembro, o país imporá tarifas sobre as importações dos Estados Unidos em diversos setores, em retaliação às novas tarifas de 50% impostas por Trump, que entraram em vigor à meia-noite de sexta-feira (21).

As sanções trompistas rompem as negociações em andamento entre os dois países e agravam uma relação já tensa por conta não apenas das tarifas, mas também por ameaças de invasão da parte do falastrão norte-americano de forma a complicar um pacto de livre comércio continental, conhecido como USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá).

EUA PAGARÁ DOLAR A DOLAR, DIZ CANADÁ

“À meia-noite de hoje, os EUA pretendem impor uma tarifa de 50% sobre aproximadamente 28 bilhões de dólares em bens canadenses. O Canadá igualará essas tarifas dólar por dólar para proteger nossos trabalhadores e empresas”, afirmou Carney.

“Nosso governo compreendeu, antes de muitos, que os EUA estão alterando todas as suas relações comerciais […] Decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e ordenei que os negociadores do Canadá retornem a Ottawa“, assinalou um comunicado divulgado pelo primeiro-ministro.

“MUDANÇAS NOS TERMOS PROPOSTOS PELOS EUA ERAM INJUSTAS”

“As mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA eram injustas, antieconômicas e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo”, garantiu.

“Nos próximos dias, divulgaremos detalhes dessas novas medidas tarifárias, que entrarão em vigor na terça-feira 8 de setembro”, afirmou o premiê em coletiva de imprensa sobre a decisão que deve afetar setores de aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose e papel e eletrônicos.

“Estamos trabalhando em todos os aspectos do seguinte: fortalecimento do Canadá”, disse ele, explicando que estão desenvolvendo uma estratégia destinada a atrair investimentos para novos negócios e grandes projetos de infraestrutura.

GUERRA COMERCIAL BASEADA EM MENTIRAS

Desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump lançou uma guerra comercial contra diversos países  ao redor do mundo sob o pretexto de que havia chegado a hora da “independência econômica dos EUA”, atacando nações estrangeiras com a invenção de que “saquearam e exploraram” os EUA por décadas.

Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA derrubou  as tarifas globais anunciadas pelo presidente no ano anterior, considerando ilegais os fundamentos para sua imposição.

Apesar disso, o governo Trump continuou  sua política tarifária, criando novas mentiras. Em particular, no final de julho, o governo Trump anunciou a implementação de uma nova tarifa contra produtos brasileiros em 12,5%, sob a fajuta alegação de importação de produtos com o uso de trabalho forçado nas cadeias produtivas. Somada às tarifas de 25%, a taxação contra os produtos brasileiros chega a 37,5%.

Também em julho, Trump anunciou uma nova rodada de tarifas de 50%  sobre produtos canadenses, alegando que seu vizinho do norte impõe um “tratamento discriminatório” a “produtos americanos”.

Essas novas tarifas atingiram diversos setores, incluindo vinho, móveis, laticínios, cimento, vestuário, varas de pesca e equipamentos de hóquei, e abrangem cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses para os EUA, medidas que não isentam os produtos canadenses de acordo com o previsto no USMCA, acordo que protegeu a maior parte das exportações canadenses para os EUA nos últimos 18 meses.

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