Presidente do STF condena ameaça de morte e se solidariza com Flávio Dino

Presidente do STF, ministro Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino (Fotos: Antonio Augusto -Gustavo Moreno - STF)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, condenou a ameaça de morte que o ministro Flávio Dino sofreu de uma funcionária de companhia aérea, na segunda-feira (18).

Em nota à imprensa, Fachin prestou solidariedade ao ministro e afirmou que a divergência de ideias não pode abrir espaço para o ódio, a violência e a agressão pessoal.

“Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana”, afirmou.

AMEAÇA

O ministro Flávio Dino relatou ter sofrido uma ameaça de morte por uma funcionária de companhia aérea e fez um apelo para que as empresas façam campanhas de educação cívica “para que todos possam conviver em paz, especialmente nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram”.

“Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto”, criticou Dino.

O ministro contou em suas redes sociais que, “recentemente, uma funcionária de uma empresa aérea, ao olhar um cartão de embarque com meu nome, manifestou a um agente de polícia judicial a vontade de me xingar”.

“Em seguida se ‘corrigiu’: disse que seria melhor MATAR do que xingar. Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF”, afirmou.

O ministro não informou o nome da funcionária, nem da empresa e explicou que seu relato carrega um interesse coletivo.

“Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros”, comentou.

“Imaginemos se isso se alastra para outros segmentos de negócios: um cliente corre o risco de, por exemplo, ser envenenado?”, continuou.

“Pode ter sido um “caso isolado”. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser”.

“Então é melhor prevenir. Essa é a sugestão para as empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil”, completou o ministro.

Flávio Dino se tornou ministro do STF em 2024, por indicação do presidente Lula. Antes disso, foi juiz federal, deputado federal, senador, governador do Maranhão e ministro da Justiça. Como ministro da Justiça, Flávio Dino liderou o enfrentamento a grupos neonazistas, que se fortaleceram ao longo do governo de Jair Bolsonaro.

O ex-presidente Jair Bolsonaro já dirigiu ataques diretos a Flávio Dino, como quando o chamou de “baleia” e “paraíba”.

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