“Ao largo destes oito anos vi as forças reacionárias – egoístas, ignorantes e cruéis – crescerem”, disse o presidente espanhol Pedro Sanchez, ao se referir a agressões de Netanyahu e Trump, em sua intervenção na 81a Assembleia Geral da ONU.
“Vi lançarem guerras ilegais e massacrarem civis inocentes”, proclamou.
Referindo-se ao genocídio perpetrado contra Gaza, destacou que a Espanha tem se negado a armar Israel ou a permitir que passem pelo território de seu país carregamento de armas dos que “com a ignorância colossal de desavergonhada e uma crueldade que não se move ao ver a espinha dorsal de uma criança faminta ou diante de um hospital reduzido a escombros”.
Em sua contraposição ao hegemonismo de Washington, denunciou os que “há países tão poderosos que podem abusar do restante e não precisam de ninguém para prosperar e acreditam que o ganho de uns implica necessariamente na perda de outros”.
Para Sanchez, estes são os mesmos que em sua ganancia desmesurada que “os vi contaminando a atmosfera e o oceano como se fossem propriedades suas”.
Mesmo diante de tudo isso, o presidente espanhol enfatizou que “não perdeu a esperança” e que “a Espanha não vai se calar”.
“Subo a esta tribuna com um único objetivo: defender aquilo que muitos estão tentando destruir. Venho a reafirmar os princípios e ambições que inspiraram a criação desta organização há 81 anos. Princípios e ambições que vários governos aqui presentes desprezam e pretendem desmantelar”, declarou o presidente durante seu discurso em Nova York, na quarta-feira (23).
Para ele, “a aposta na paz, na sustentabilidade e na igualdade de oportunidades estão sendo atacadas por entidades e governos que querem levar o mundo de volta a um passado sombrio”.
“Não há necessidade de apontá-los. Todos sabemos quem são e qual é o seu modus operandi”, disse Sánchez, denunciando que essas forças questionam as regras, cortam as contribuições para organismos como a ONU e bloqueiam a sua capacidade de ação, para depois alegarem que tais instituições são inúteis e dispensáveis, em uma “tentativa planejada e coordenada de demolição”.
MUTILATERALISMO FRENTE EGOÍSMO, IGNORÂNCIA E A CRUELDADE
O chefe do Poder Executivo espanhol contrastou essa perspectiva sombria destacando que testemunhou milhões de pessoas se mobilizando em defesa da natureza, da paz e dos direitos civis, demonstrando que os seres humanos podem ser construtivos, e que toda crise exige uma decisão moral no mais alto nível.
Em resposta às críticas irresponsáveis que visam levar a organização ao fracasso, ele afirmou que “o multilateralismo é o melhor instrumento que a Humanidade possui para gerir a sua diversidade e interdependência”.
PROPOSTAS DE REFORMA ESTRUTURAL E INSTITUCIONAL
Para fortalecer o sistema internacional diante dos desafios do século XXI, o dirigente espanhol defendeu recuperar a sabedoria consagrada na Carta das Nações Unidas por meio de uma série de reformas profundas. Ele instou à reforma do Conselho de Segurança para garantir a representação justa de todas as regiões e eliminar o poder de veto dos membros permanentes.
Advogou a reconstrução da arquitetura da não proliferação e do desarmamento nuclear para prevenir novos conflitos globais, e instou à imposição de regulamentações rigorosas aos tecnoligarcas no que diz respeito ao funcionamento das redes sociais e ao desenvolvimento da inteligência artificial, priorizando o futuro das novas gerações em detrimento dos interesses econômicos.
COMPROMISSOS DA ESPANHA
Na esfera geopolítica, o presidente reafirmou que o país se recusou a aumentar os gastos militares para 5% e implementou um embargo de armas a Israel, impedindo o uso do território nacional para operações contrárias ao direito internacional e condenando o genocídio perpetrado por Netanyahu em Gaza.
Em contraste com a redução geral da ajuda internacional ao desenvolvimento nos últimos dois anos, destacou que a Espanha duplicou o seu investimento em cooperação e aumentou a sua contribuição para o sistema multilateral em 60%.
Pedro Sánchez concluiu seu discurso reiterando o compromisso inabalável da sociedade espanhola em deixar um mundo mais pacífico, equitativo e justo para as gerações futuras.











