No ano, o setor acumula alta de 1,7%
A produção industrial nacional avançou 0,7% em abril de 2026, frente ao mês imediatamente anterior (março), informou o IBGE nesta quarta-feira (3). Com a quarta taxa positiva consecutiva, a indústria acumula um ganho de 4,4% no período.
Em relação a abril de 2025, a indústria cresceu 2,7%. No acumulado do ano até abril, o setor acumula alta de 1,7%. Já a indústria de transformação cresceu 0,2% em abril, após alta de 0,2% em março.
Na passagem de março para abril, a produção industrial cresceu em duas das quatro grandes categorias econômicas: bens intermediários (1,5%), bens de capital (0,1%), bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e bens de consumo duráveis (-3,2%).
Dos 25 ramos industriais pesquisados, 14 mostraram avanço na produção. Entre as principais influências significativas, estão: indústrias extrativas (3,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%), segmentos que tiveram aumento na produção de combustíveis para atender o mercado interno, diante da agressão dos Estados Unidos ao Irã.
“As pressões positivas mais relevantes vieram de óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, no caso do setor extrativo; e de álcool etílico e dos derivados do petróleo, especialmente o óleo diesel, para a atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis”, segundo André Macedo, gerente da PIM.
Por outro lado, destaca-se os recuos nas produções de produtos químicos (-3,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%) e metalurgia (-1,0%).
Apesar dos resultados positivos em abril, a indústria como um todo opera 12,9% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011, influenciada pelo efeito negativo dos juros altos no Brasil. Hoje a taxa básica de juros (Selic) – que é definida pelo Banco Central (BC) – está em 14,50 % ao ano, afetando negativamente os investimentos produtivos e a demanda por bens e serviços no país.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Industrial (Iedi) destaca, ao analisar o resultado da produção industrial no mês de abril, na comparação com abril de 2025 (+2,7%), que “a parcela da indústria mais sensível à taxa de juros seguiu não se saindo bem”.
“Bens de capital tiveram produção reduzida em -4,3% em comparação com abril do ano passado, puxada para baixo principalmente por bens de capital para a agricultura (-14,7% ante abr/25), em função do alto endividamento dos produtores do setor, e por bens de capital de uso misto (-15,7%)”.
“Bens de consumo duráveis, a seu turno, caíram -3,4% em abr/26 ante abr/25, em função de forte declínio em eletrodomésticos (-9,1%) e também em móveis (-3,3%). Automóveis (+11,1% em jan-mar/26 para +1% em abr/26) e outros equipamentos de transporte (+9,7% e +1,4%, respectivamente) desaceleraram bastante”.











