Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, em um ato de campanha em Angra dos Reis (RJ), a liberação de obras e revisão do plano diretor que beneficiam a ele próprio e a seus amigos que têm mansões na região. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
O candidato a presidente disse que cidades como Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty podem receber “muitas obras de infraestrutura”, que hoje são impedidas por “questões ambientais”.
“Com a revisão de planos diretores dos municípios em parceria com os prefeitos, para que as obras dos condomínios, grandes empreendimentos e resorts possam acontecer com segurança jurídica e de maneira rápida”, continuou Flávio.
Ele falou que essas cidades podem se desenvolver como Cancún, no México, ou como a Indonésia.
Essa proposta beneficia diretamente seu amigo Willer Tomaz, dono de três propriedades em Angra dos Reis e investigado pela Polícia Federal por roubos no escândalo do INSS.
Um desses terrenos esteve envolvido em uma polêmica com o jogador de futebol profissional Richarlison, uma vez que este jogador chegou a comprar a mansão por R$ 10 milhões, mas perdeu a posse para Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro visitou a mansão junto com Willer Tomaz em 2020 e, segundo o antigo proprietário, Antônio Marcos da Silva, os dois se tratavam como sócios.
Esse negócio ainda envolve um tratamento diferenciado dado aos pedidos de transferência de propriedade feitos por Richarlison e por Flávio-Willer pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que era chefiada no Rio pelo coronel Paulo Medeiros, indicado por Flávio para o cargo.
Enquanto Richarlison espera desde setembro de 2021, Flávio conseguiu a transferência de propriedade no mesmo dia.
A proximidade entre os dois é tanta que Flávio e Willer viajaram juntos para a Flórida, nos Estados Unidos, em maio de 2025, usando o jatinho do empresário e advogado Willer.
Em 2022, Flávio Bolsonaro ainda apresentou o nome de seu amigo para compor o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aproveitando os últimos meses do mandato do pai na Presidência, mas não conseguiu.
Willer Tomaz ainda é dono de outros dois imóveis que seriam beneficiados por mudanças nos planos diretores.
Em 2025, o advogado fez uma consulta junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro para saber o quanto do terreno poderia usar em obras com fins turísticos.
Willeer disse que é “motivo de perplexidade” qualquer associação entre a proposta feita por Flávio e o benefício direto a seus amigos. Segundo ele, a região tem “milhares de proprietários igualmente interessados” no tema.










