Redenção x traição

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Para o bolsonarismo as ameaças imperialistas de Trump à soberania nacional soam como música, como tábuas de salvação.

Trump está de olho gordo em nossas reservas de “terras raras”, na Floresta Amazônica, em nosso petróleo.

Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai para concorrer à presidência, já prometeu que, se ganhar a eleição, entrega tudo, até a mãe.

O problema é ganhar e ao mesmo tempo manter a genuflexão. O leitor há de convir que não há coluna que aguente.

Mas o Trump precisa de gente mansa e submissa. Ou seja, de uma 5ª coluna disposta a cumpliciar uma intervenção nas eleições brasileiras e interferir em nossos assuntos internos. E ninguém é mais subserviente que os Bolsonaros para cumprir esse triste papel. Levaram uma bandeira gigante dos EUA para Av. Paulista, em São Paulo, apoiando o tarifaço.

Com a conversa mole de que o crime organizado no Brasil ameaça a segurança nacional dos EUA, o débil mental foi apelar logo para o senador Flávio Bolsonaro, comprovadamente ligado à bandidagem.

Flávio, que por duas vezes condecorou Adriano da Nóbrega – chefe do Escritório do Crime, que é um grupo de matadores de aluguel, da milícia de Rio das Pedras, suicidado, ex capitão do BOPE – com uma moção de louvor, em 2003, e com a medalha Tiradentes, em 2005.

Eram funcionárias fantasmas de seu gabinete, a mãe do Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a esposa, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega.

Trump é enturmado com o pessoal do crime. Acolhe, em território americano, Alexandre Ramagem, deputado federal cassado, ex diretor da ABIN (Agência Brasileira de Informação), condenado a 16 anos de reclusão pela tentativa de golpe, como também o próprio Eduardo Bolsonaro, irmão mais velho, que se auto exilou nos EUA, denunciado pela PGR por ter articulado sanções contra os interesses nacionais.

A família Bolsonaro quer, a todo custo, mudar de assunto. O problema é que quanto mais se mexem, pior fica. Estão mais sujos que pau de galinheiro.

E mais: o vazamento da amizade colorida de Flávio com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e da intimidade deles negociando alarmantes R$ 134 milhões para o financiamento de um filme de segunda.

A bola está com Lula. Aguarda-se dele a apresentação da contrapartida à traição. Um projeto que una e empolgue a nação – civis e militares, trabalhadores e empresários, jovens e veteranos, homens e mulheres –, um projeto de superação, de uma vez por todas, da dependência econômica e do subdesenvolvimento.

O tamanho do estrago causado à nação por Trump e pela família Bolsonaro é proporcional ao despertar do patriotismo na consciência popular.

Esta eleição poderá ser a redenção da nação, do projeto nacional de desenvolvimento autônomo e soberano.

CARLOS PEREIRA

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