Candidata do movimento Revolução Cidadã foi retirada ilegalmente de sua casa no meio da madrugada sob a alegação de “desvio de seis mil dólares”. Processo já havia sido julgado, sem nenhum problema, contesta a presidente da RC, Gabriela Rivadeneira, denunciando “perseguição” da extrema direita
O regime fascista de Daniel Noboa retirou de sua casa, na madrugada desta quinta-feira (22), em Canuto, na província de Manabí, a líder do movimento Revolução Cidadã (RC), Luisa González, de 48 anos.
“O que ocorreu nesta madrugada — e que nos mobiliza com extrema preocupação e urgência — diz respeito à integridade da nossa dirigente e candidata à presidência, Luisa González, que foi sequestrada por este governo”, afirmou Gabriela Rivadeneira, presidente da RC. “Digo isso exatamente como é”, enfatizou, “pois não há fundamentos reais para tal. Não temos acesso a informações; os advogados acabaram de ser notificados — em primeira instância — e sabemos que o caso se refere a um processo que já foi julgado”.
Conforme esclareceu Gabriela, trata-se de seis mil dólares de fundos de campanha de 2023, os quais, inclusive, foram totalmente justificados. “O Tribunal Eleitoral impôs uma multa financeira, que foi integralmente paga pelos nossos representantes envolvidos no processo judicial; e agora, eis que reabrem o caso. Em que situação deplorável se encontra o governo de Daniel Noboa neste país? Quão grande é a rejeição popular, a ponto de o governo precisar recorrer ao sequestro e à prisão de autoridades? Jorge Glas, Aquiles Álvarez, Cristian Zamora, Vico Villasís, Luisa González — além da ameaça que paira sobre pelo menos uma dezena de outras autoridades locais, muitas delas integrantes da Revolução Cidadã e outras que, embora não pertençam às nossas fileiras, têm feito oposição ao governo ditatorial de Daniel Noboa”, enfatizou.
“NOBOA QUER ENCOBRIR A CRISE NA ENERGIA, NA SAÚDE E NA EDUCAÇÃO”
De acordo com a presidente da RC, “este é um chamado à cidadania”. “Se um governo — com suas autoridades, dirigentes e oposição — é capaz de agir desta forma, ele é capaz de fazer qualquer coisa contra o povo; e, de fato, é isso o que está fazendo. Querem encobrir a crise energética, a crise na saúde, a crise na educação e a crise de insegurança”, alertou. Objetivamente, frisou, “querem esconder esses problemas por meio de espetáculos midiáticos, colocando em risco a vida de lideranças políticas deste país. Temos denunciado a tortura contínua a que são submetidos os nossos presos políticos. Hoje, exigimos a libertação imediata de Luisa González, que não deveria ter de enfrentar um processo de perseguição e tortura imposto por este governo”.
Não é um caso isolado; trata-se de uma questão sistemática. Por isso, apontou Gabriela, “as Nações Unidas, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a Organização dos Estados Americanos, as cortes e parlamentos, entre outros, já possuem um registro com todo o histórico de denúncias, falhas e da ruptura democrática — incluindo a suspensão e o cancelamento de organizações políticas, a prisão de autoridades locais e a tortura de políticos e dirigentes partidários em centros de detenção”. “A isso soma-se agora este sequestro, que, naturalmente, denunciaremos com toda a força. Convocamos a militância, os cidadãos e todos aqueles que se sentem indignados com esta situação a ficarem atentos às próximas orientações, a fim de acompanhar o desenrolar dos fatos e exigir a libertação de Luisa González”, disse.
A Revolução Cidadã (RC) assegura que está em curso uma grave perseguição política, já que, em 28 de janeiro, a Promotoria havia feito buscas na casa de González no caso Caja Chica, alegando uma infundada suspeita de delinquência para lavagem de ativos, sem nunca comprovar nada.
“JÁ CHEGA!”, AFIRMOU RAFAEL CORREA
O primeiro a publicar uma mensagem contestando a decisão governamental foi o ex-presidente Rafael Correa, que se encontra no exílio diante da perseguição. Ele levantou o grito de basta: “Prenderam Luisa González. Já chega!”.
De forma enfática, a RC assinala que “transferir observações de natureza eleitoral para a justiça penal — no âmbito de um sistema de justiça estruturado — não é justiça: é um ato explícito de perseguição de Estado (lawfare), destinado a proibir a oposição”.
“INVESTIGAÇÃO SIGILOSA”
A “investigação sigilosa”, condenam os movimentos sociais e as organizações de direitos humanos do Equador, abre o caminho, e depois vêm as buscas, a exposição pública, a impugnação eleitoral e, por fim, o cárcere.
Rafael Correa resumiu essa leitura ao dizer que Noboa está empenhado em aniquilar a oposição e que, quando polícia e Ministério Público passam a trabalhar no calendário do poder, o Estado deixa de arbitrar a disputa política e passa a ser parte dela. Esse é o traço mais reconhecível do fascismo.
A “suspeita” da Promotoria é que os seis mil dólares teriam vindo da Venezuela para a campanha. González nega e diz que seu movimento não recebeu dinheiro nem do país vizinho nem de lugar algum. Só um processo com prazos, provas abertas e juízes independentes pode separar o crime da perseguição. É esse processo que o Equador precisa garantir agora, com o país todo mobilizado.











