Relatório revela estupro sistemático de palestinos nas prisões de Israel

Palestinos de olhos vendados atrás de arame farpado no antro de torturas em Sde Teiman (foto da organização Quebrando o Silêncio)

O relatório de uma investigação feita por organizações humanitárias revelou como o estado de apartheid de Israel transformou os campos de prisioneiros palestinos em um sistema de estupro coletivo e tortura


É evidenciado no relatório, intitulado “Outro genocídio atrás dos muros” (“Another genocide behind walls”), que foi divulgado pela organização de direitos humanos, ‘Monitor Euro-Mediterrânico de Direitos Humanos’ (Euro-Mediterranean Human Rights Monitor), a tortura pelo estupro de palestinos detidos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e como isso é uma politica de Estado organizada por Israel e seu governo sob a tirania de Netanyahu.

O relatório escancara o respaldo de autoridades e funcionárioa israelenses, políticos, médicos, militares e pessoal jurídico para essa atrocidade. Testemunhos das vítimas palestinas, relataram além dos estupro feitos pelos militares israelenses, descreveram o uso de objetos, tortura dos órgão genitais e até o uso de cães nas sessões de tortura sexual com a intenção de quebrar e subjugar a vontade coletiva do povo palestino.

“Nós sabíamos que havia dezenas de casos de estupro e agressão sexual, mas em uma sociedade conservadora, é extremamente difícil para alguém se apresentar e dizer que foi estuprado”, disse Khaled Ahmad, pesquisador do Euro-Med Monitor.

“Apesar das dificuldades, conseguimos chegar a alguns casos, mas a maioria era do sexo masculino, porque o contexto de agressão sexual contra as mulheres na sociedade palestina traz consequências maiores e mais complexas. Por isso, é extremamente difícil para uma mulher dizer que foi agredida”.

VIOLÊNCIA SEXUAL

“Sabemos que o número de pessoas submetidas à violência sexual é maior do que o esperado, e que há dezenas de outras vítimas masculinas e femininas que foram estupradas ou agredidas sexualmente e optaram por permanecer em silêncio”, disse.

Foram relatadas práticas como filmar as sessões de tortura e com a presença de vários torturadores para humilhar as vítimas e entreter o sadismo dos captores israelenses. Sessões de tortura que causam danos psicológicos às vítima, lesões que causam invalidez e até esterilidade.

Os torturadores então ameaçavam divulgar os vídeos dos estupros se as vítimas não cooperassem.

“Durante o interrogatório, eles me amarraram nua a uma cama de metal, e um dos soldados me perguntou quantas mulheres israelenses eu havia estuprado em Israel. Eu neguei que eu tinha sequer entrado em Israel. Então um soldado me estuprou. Senti forte dor no meu ânus e gritei, mas toda vez que eu gritava, eu era espancado. Isso continuou por vários minutos, enquanto os soldados filmavam e zombavam de mim”, relatou Wajdi, de 43 anos, prisioneiro palestino que passou um ano detido.

“O soldado saiu depois de ejacular dentro de mim. Fiquei numa posição humilhante. Eu desejava a morte. Eu estava sangrando”, acrescentou.

CÃES E CHOQUES ELÉTRICOS



Wajdi relatou que foi repetidamente estuprado por soldados israelenses e que eles chegaram a usar um cachorro nos estupros durante as sessões de tortura.

“Mais tarde, eles me desamarraram e trouxeram um cachorro, que também me estuprou. No mesmo dia, fui estuprado pelo menos mais duas vezes depois de ser amarrado à cama. Um dos soldados colocou seu pênis na minha boca e depois urinou em mim. O estupro foi repetido dois dias depois por três soldados. Eu estava com uma saúde física e mental muito ruim.”
Testemunhos obtidos pelo Monitor Euro-Med, relataram que adultos e crianças passaram por brutais sessões de torturas, segundo o órgão de direitos humanos, com a intenção de violar a integridade física e a dignidade dos palestinos.


Em alguns casos, os israelenses executavam choques elétricos nos testículos das vítimas e atingidos na virilha com socos e chutes, provocando lesões físicas permanentes e perda de funções excretoras e reprodutivas. Alguns casos, os testículos tiveram que ser amputados.

“Durante meu interrogatório, fui espancado, inclusive em meus testículos”, disse um outro palestino de 48 anos, que pediu para não ser identificado. “Quando respondi a perguntas com ‘não sei’, o interrogador pressionou com força meus testículos e tentou inserir um objeto no meu pênis. Eu experimentei uma dor intensa”, disse. “Em uma ocasião, quando ele pressionou meus testículos, eu perdi a consciência. Quando recuperei a consciência, encontrei-me num hospital, algemado. Mais tarde, soube que meus testículos haviam sido removidos, deixando-me em um estado psicológico grave.”

Outro palestino de 35 anos , mantido no campo de detenção na famigerada base militar israelense de Sde Teiman, relatou como os soldados o forçaram a se despir e fizeram cães urinarem nele. Ele disse que o cachorro “penetrou meu ânus de maneira treinada enquanto eu estava sendo espancado”.

“Isso continuou por vários minutos. Senti-me profundamente humilhado e violado”, disse.

EXTINTOR DE INCÊNDIO



O advogado Khaled Mahajna, da Comissão de Assuntos de Detidos e Ex-Detidos, relatou que um soldado de Sde Teiman tinha inserido um bico de um extintor de incêndio no anus de um prisioneiro palestino e que descarregou o conteúdo no extintor dentro dele provocando dor intensa e ferimentos internos graves.

A conclusão do Monitor Euro-Med é que esses incidentes e vários outros não são incidentes isolados, mas são evidências “de uma política apoiada por altos líderes civis e militares, seja por meio de ordens diretas ou por aprovação tácita e um clima de impunidade”.

Eles disseram que esses abusos horrendos só foram permitidos através de legislação, diretivas militares que permitem essas práticas e regulamentos de emergência e exemplificaram com a lei israelenses “Lei de Combatentes Ilícitos”, que na verdade é uma expansão dos poderes das autoridades israelenses para deterem palestinos, sem supervisão judicial e sem proteções legais para o detido.

Um inquérito da ONU, já estava acusando Israel de usar de estupros como ferramente de tortura, como “um método de guerra … para desestabilizar, dominar, oprimir e destruir o povo palestino”.

Em março desse ano, a justiça militar de Israel anunciou que eles estavam retirando as acusações contra cinco de seus soldados pegos em um vídeo que viralizou pelo mundo estuprando um prisioneiro palestino no campo de detenção de Sde Teiman. As imagens mostraram os soldados rodeando o palestino enquanto este estava sendo estuprado contra a parede.

Na época das prisões dos soldados, israelenses saíram às ruas, não contra os estupradores, mas a favor deles, pedido a sua soltura e defendendo a prática de tortura contra os palestinos.

Matéria realizada com base em reportagem da TV Comunitária do DF e no

Relatório “Outro genocídio atrás dos muros”, produzido pela organização Euro-Mediterranean Human Rights Monitor

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