Resolução contra a guerra de Trump ao Irã, aprovada na Câmara, segue para o Senado dos EUA

Limite à guerra mantida contra o Irã por Trump é aprovado na Câmara dos EUA (Guardian)

Reprimenda atende a uma lei criada sob o fiasco de Nixon no Vietnã

Em um voto pelo fim da guerra de Trump contra o Irã, a Câmara dos EUA aprovou na quarta-feira (3) uma resolução para forçar o presidente a retirar as tropas do Irã ou obter do Congresso uma autorização de guerra ou de uso de força militar, conforme a Lei dos Poderes de Guerra de 1973, criada sob a debacle de Nixon no Vietnã.

Aprovada por 215 a 208, inclusive com o voto do copatrocinador Thomas Maisse e mais três republicanos, a resolução segue para o Senado, que terá de analisá-la em duas semanas e meia.

Apesar da repercussão política, a resolução é essencialmente simbólica já que teria de ser aprovada também pelo Senado, certamente seria vetada por Trump e muito improvavelmente haveria dois terços dos votos do Congresso para derrubar o veto.

Ainda assim, líderes do movimento antiguerra e parlamentares democratas festejaram a aprovação, a primeira na Câmara, depois de três tentativas. No Senado, já foram sete, sendo que uma não foi à votação final e está parada.

A rejeição à guerra é amplamente majoritária nos EUA, numa inversão do que historicamente tem ocorrido no início de uma guerra desencadeada por Washington. Mais de dois terços são contra. Também a alta de 50% no preço da gasolina, consequência do fechamento do estreito de Ormuz, impacta diretamente os norte-americanos.

“Vitória da Constituição, agora é hora do Senado agir”, afirmou Medea Benjamin, cofundadora do grupo pacifista CodePink, saudando a “total repreensão a Trump”. Vamos manter a pressão e enviar essa resolução para a mesa de Trump. Chega de guerras ilegais. Chega de cheques em branco para os maníacos de guerra.”

95 DIAS DE GUERRA ILEGAL

“Após 95 dias de guerra ilegal, o Congresso finalmente está implementando a vontade do povo, que se opõe esmagadoramente à desastrosa guerra do presidente Trump contra o Irã”, disse Eric Eikenberry, diretor do Win Without War [Vença Sem Guerra], em comunicado.

“Embora a ação do Congresso seja bem-vinda, é lamentavelmente tarde. O Congresso não deveria ter levado mais de três meses para aprovar uma resolução que forçasse Trump a acabar com essa guerra”, continuou. “O atraso deles deixou milhões de pessoas lutando em meio a consequências humanas e econômicas desnecessárias e inaceitáveis.”

O deputado republicano Massie escreveu no X: “A Resolução dos Poderes de Guerra do Irã que eu co-patrocinei (contra a guerra) acabou de ser aprovada na Câmara dos Representantes. A Casa do Povo está enviando uma mensagem: acabe com esta guerra.”

“Diplomacia é a única saída disso, não mais bombardeios, nem mais fanfarronice”, disse o copatrocinador democrata, Gregory Meeks, destacado membro do Comitê de Relações Exteriores da Câmara.

“Estamos presos em uma guerra que não vai acabar porque um presidente incompetente a iniciou pensando apenas em seu próprio ego, enquanto não se prepara para as consequências.”

“PELAS COSTAS”

Trump reagiu alegando que a resolução limitando seus poderes de guerra é “sem significado” e culpando “quatro maus republicanos” por “juntarem forças com os democratas”. Pela legislação dos “Poderes de Guerra”, Trump teria 60 dias para obter do Congresso a declaração de guerra ou autorização de uso de força e mais 30 para retirar as tropas.

Cinicamente, Trump argumentou que a resolução foi votada “exatamente no meio das minhas negociações finais para terminar a guerra com a República Islâmica do Irã”, o que chamou de “coisa impatriótica”. Na verdade, o que atrapalha as negociações é que o governo Trump em um ano por duas vezes atraiçoou negociações diplomáticas em curso para agredir militarmente o Irã e assassinar seus líderes e até as meninas de uma escola primária.

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