Retomada de Angra 3 é de interesse público, afirma governo

Angra 3. (Foto: Eletronuclear/Divulgação)

Resolução do CNPE respalda pedido da Eletronuclear para renegociação das dívidas da implantação da usina nuclear

O pedido da Eletronuclear para suspensão temporária do pagamento das dívidas relacionadas à construção da usina nuclear de Angra 3 foi considerado como de “interesse público” pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na terça-feira (15). A decisão cria condições para que a estatal negocie suas dívidas com os bancos credores, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal.

Segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia, a ⁠resolução “respalda, no âmbito da ​política energética, o encaminhamento do pedido da Eletronuclear às instituições financeiras, permitindo que o ‌BNDES e a Caixa ‌Econômica Federal ​avaliem a viabilidade da solicitação”.

“Estamos recuperando a empresa, estamos reestruturando a empresa e estamos prolongando o prazo das dívidas da empresa, quer dizer, estamos submetendo aos credores, BNDES e Caixa”, disse o ministro de Minas e Energia e presidente do CNPE, Alexandre Silveira, em entrevista coletiva, após reunião do conselho.

Estima-se que o impacto financeiro de manter as obras de Angra 3 paralisadas desde de 2015 gera um custo anual da ordem de R$ 1 bilhão, sendo R$ 800 milhões apenas com o pagamento das dívidas junto ao BNDES e à Caixa. Outros R$ 200 milhões são destinados à manutenção de equipamentos e estruturas.

Alexandre Silveira também defendeu a continuidade das obras da Usina Termonuclear de Angra 3.

“Eu, particularmente, defendo a conclusão de Angra 3″, declarou.”Energia nuclear se tornou uma grande prioridade global, que é energia limpa, inflexível e segura. Nós temos tecnologia para concluir Angra 3 e fazer outras usinas nucleares no Brasil”, completou.

Estimativas apontam que cerca de 66% das obras estão concluídas e que foram investidos, até então, R$ 12 bilhões. De acordo com estudo do BNDES, o abandono da usina geraria um prejuízo de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. Para finalizar o empreendimento, estratégico para o Brasil, a obra custaria R$ 24 bilhões gerando energia para o país.

A deliberação do CNPE não gera um alívio imediato nas contas da Eletronuclear, já que depende da aprovação do BNDES e da Caixa, cujas dívidas giram em torno de R$ 3,5 bilhões e R$ 2,9 bilhões, nessa ordem.

O reconhecimento de “interesse público” dá sinal verde para que os conselhos das instituições financeiras possam deliberar em prol do pleito da Eletronuclear.

ANGRA 3

De acordo com a Eletronuclear, “a terceira usina nuclear brasileira terá potência de 1.405 megawatts, capaz de produzir cerca de 12 milhões de MWh anuais. Com sua conclusão, o complexo nuclear de Angra passará a gerar o equivalente a 70% do consumo do estado do Rio de Janeiro, com progresso físico atual de 66%.

A usina operará com alto grau de confiabilidade, contribuindo para a segurança do abastecimento elétrico nacional e reduzindo o risco de apagões. Sua geração será suficiente para atender 4,5 milhões de habitantes.

Para dimensionar sua relevância, a energia de Angra 3 poderia carregar simultaneamente 30 mil carros elétricos, formando uma fila de 13 km — equivalente à Ponte Rio-Niterói. Em apenas um dia, esse número chegaria a 720 mil veículos elétricos.

Além de reforçar a diversificação da matriz elétrica, Angra 3 contribuirá para reduzir o custo total do Sistema Interligado Nacional (SIN), ao substituir a geração de usinas térmicas mais caras“.

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