Moscou denuncia o sequestro do petroleiro russo Tagor, no Oceano Atlântico, por parte da França: “Consideramos tais ações ilegais; elas beiram a pirataria internacional. Rejeitamos categoricamente a alegação de que estão sendo realizadas em plena conformidade com o direito internacional”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Peskov enfatizou que a Rússia continuará a tomar medidas para garantir a segurança da carga marítima, tendo em vista esse precedente negativo.
A apreensão ocorreu no domingo (31), a mais de 400 milhas náuticas (741 km) a oeste do ponto extremo da região francesa da Bretanha. Trata-se de “um petroleiro de Murmansk, na Rússia”, segundo o Gabinete do Prefeito Marítimo do Atlântico.
A detenção em alto mar do petroleiro russo Tagor pela França representa “mais um exemplo do niilismo jurídico europeu e da adaptação das regras para atender à sua própria conveniência”, declarou na segunda-feira (01) a representante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
“TAIS ‘SANÇÕES’ SÃO CONTRÁRIAS AO DIREITO INTERNACIONAL”
“As medidas restritivas unilaterais e ilegais adotadas pelos europeus só podem ser consideradas dentro da legalidade internacional na imaginação da dupla de piratas franco-britânicos. A Assembleia Geral da ONU afirmou repetidamente que tais ‘sanções’ são contrárias ao direito internacional”, assinalou.
“A Embaixada da Rússia na França exigiu que Paris forneça detalhes completos sobre as circunstâncias da detenção e está tomando medidas abrangentes para proteger os cidadãos russos entre os tripulantes”, asseverou a porta-voz
Esta é a terceira ação francesa contra petroleiros russos em 2026. Em março, as forças francesas apreenderam o petroleiro Deyna no Mar Mediterrâneo. O navio navegava de um porto russo sob bandeira moçambicana.
Da mesma forma, em janeiro, a Marinha francesa deteve o petroleiro Grinch no Mar Mediterrâneo. O navio também havia partido da Rússia.
“Chamamos a atenção de nossos colegas europeus para o fato de que navios que operam em seus interesses frequentemente navegam sob bandeiras ‘convenientes’. O fato de os franceses estarem transferindo a luta contra esses navios para o alto-mar, onde prevalece a liberdade de navegação, pode se revelar muito custoso para todo o setor de transporte marítimo global”, alertou a representante oficial do MRE.
Da mesma forma, Zakharova questionou a referência às sanções internacionais nos argumentos da França.
“As autoridades francesas interpretaram erroneamente o Artigo 110 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que permite que um navio de guerra inspecione um navio estrangeiro em águas internacionais se este for apátrida, mas não autoriza sua escolta para dentro ou para fora do país do navio de guerra”, afirmou ela.











