A Rússia anunciou nesta terça-feira (12) que concluiu com sucesso o teste final de seu míssil balístico intercontinental Sarmat, ou RS-28, com dez ou mais ogivas nucleares, alcance de até 35 mil quilômetros podendo viajar pelos dois pólos e com capacidade suborbital, velocidade hipersônica de Mach 17 e apto a alterar sua trajetória em direção e altitude de forma que nenhum sistema de defesa antimíssil consiga interceptá-lo.
Ao novo míssil a Otan já apelidou de “Satã 2.0”, a exemplo do antecessor, o temido Voevoda (R-36M2) soviético, dito o “Satã” original.
“Hoje, às 11h15, as Forças de Mísseis Estratégicos lançaram o mais moderno míssil balístico intercontinental de combustível líquido, o Sarmat. O lançamento foi bem-sucedido e a missão foi cumprida”, afirmou o comandante das forças de mísseis estratégicos da Rússia, Sergei Karakayev, durante reunião por videoconferência com o presidente Vladimir Putin.
A cena do lançamento foi descrita por um jornal russo como “um gigante, do tamanho de um prédio de 10 andares, emergindo para o céu a partir de um poço de mina”.
O presidente russo destacou que se trata do “sistema de mísseis mais poderoso do mundo. O poder explosivo da ogiva é quatro vezes maior do que o de qualquer outra arma existente no mundo. Gostaríamos de acrescentar que o recordista atual é o míssil americano Titan II, com um poder explosivo de 9 megatons, o que significa que se pode esperar que o Sarmat tenha um poder explosivo de cerca de 36 megatons. Isso equivale a 2.000 Hiroshimas!”
Ele assinalou ainda que o Sarmat “pode viajar não apenas em trajetória balística, mas também suborbital, o que lhe confere um alcance de mais de 35 mil quilômetros, com características de precisão duas vezes maiores que o Voevoda e capacidade de penetrar todos os sistemas de defesa antimísseis existentes e futuros”.
Putin apontou que o trabalho para aprimorar as forças de dissuasão nuclear está em andamento “desde o início dos anos 2000. Francamente, tínhamos outras coisas em mente naquela época. A Rússia estava passando por um momento muito difícil.”
“FOMOS FORÇADOS”
“Mas, depois que os EUA se retiraram do Tratado de Mísseis Antibalísticos em 2002, fomos forçados — e quero enfatizar, forçados — a considerar a garantia de nossa segurança estratégica na nova realidade”, destacou.
“Foi então que as mentes mais brilhantes da nossa indústria militar receberam a missão de criar sistemas sem paralelo em qualquer lugar do mundo. E, o mais importante, de modo que nenhum sistema de defesa antimíssil implantado na Europa pudesse deter o nosso míssil. Para que qualquer agressor saiba: a retaliação é inevitável.”
“O trabalho no míssil Sarmat começou em 2011. Hoje vemos os resultados. Nosso míssil é capaz de penetrar não apenas todos os sistemas de defesa antimíssil existentes, mas também todos os futuros sistemas. Parabenizo o Ministério da Defesa, todos os funcionários, pesquisadores, engenheiros, organizadores da produção da indústria de defesa, principais contratados e os milhares de membros cooperados por este grande evento e sucesso absoluto!”
“SISTEMAS AVANÇADOS SEM ANÁLOGOS”
O presidente russo enfatizou que Moscou começou a trabalhar na “criação de sistemas avançados sem análogos no mundo”. “Agora temos o míssil hipersônico Kinzhal, de médio alcance e lançado do ar, que está em serviço desde 2017. Ele é usado em operações especiais, mas seu aprimoramento, incluindo o aumento da precisão em ogivas não nucleares, continua”, observou Putin .
Além disso, o trabalho no veículo subaquático não tripulado Poseidon e no míssil de cruzeiro de alcance global Burevestnik está quase concluído. E desde o ano passado, o sistema de mísseis de médio alcance Oreshnik, baseado em terra e que também pode ser armado com ogivas nucleares, está em alerta de combate, sublinhou.
“O destacamento de lançadores com o sistema de mísseis Sarmat melhorará significativamente as capacidades de combate das forças nucleares estratégicas terrestres para destruir alvos de forma confiável e cumprir missões de dissuasão estratégica”, afirmou.
No final do ano passado, a Rússia alertou repetidamente que havia chegado a hora de estender o Tratado START, que limita os arsenais nucleares, registrou o jornal Komsomolskaya Pravda.
“Os EUA ouviram o alerta, mas rejeitaram a proposta. Agora, generais do Pentágono estão analisando minuciosamente o relatório do coronel-general Sergei Karakayev, comandante das Forças de Mísseis Estratégicos”, acrescentou a publicação.
“O Sarmat foi concebido como um substituto para o sistema soviético Voevoda. Mas está vários passos à frente em termos de alcance, peso da ogiva e, mais importante, em sua capacidade de neutralizar todos os sistemas de defesa aérea e antimíssil existentes”, observou Karakayev.
“Os resultados positivos do lançamento do sistema de mísseis Sarmat nos permitirão colocar o primeiro regimento de mísseis armado com esse sistema em serviço de combate na formação Uzhur do Território de Krasnoyarsk até o final deste ano”, informou o general.
Em entrevista à agência de notíciaas RIA Novosti, o chefe da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma, Leonid Slutsky disse que o sucesso no teste descarta qualquer ultimato daqueles que desejam ver a “derrota estratégica” da Rússia e a mostra como líder inconteste no campo de mísseis e armamentos modernos.
“SARMAT, ORESHNIK E POSEIDON ZELAM PELOS INTERESSES NACIONAIS”
“Sarmat, Oreshnik e Poseidon zelam pelos interesses nacionais e pela soberania da Rússia”, acrescentou. “Esta é a nossa contribuição para a estabilidade estratégica e o equilíbrio global: a era da ditadura unipolar está finalmente se tornando coisa do passado”, concluiu Slutsky.
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a Rússia notificou previamente os Estados Unidos e outros países sobre o teste do Sarmat.










