Rússia reafirma o “direito inalienável” do Irã de enriquecer urânio.

Usina de Bushehr foi alvo de ataque de EUA-Israel durante a agressão ao Irã (Atta Kenare/AFP)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, defendeu o direito inalienável do Irã de enriquecer urânio para fins pacíficos e enfatizou que Moscou apoia qualquer decisão que beneficie Teerã.

“Todo país tem o direito de enriquecer urânio exclusivamente para fins pacíficos”, enfatizou Lavrov, reiterando que esse direito também pertence ao Irã.

“O direito internacional presume que todo país possui o direito de enriquecer urânio exclusivamente para fins pacíficos. Nunca, em lugar nenhum, em momento algum, o Irã tentou expandir esses fins pacíficos para quaisquer interpretações ambíguas ou, com isso, buscou empregar suas tecnologias para fins militares. Não existe qualquer evidência disso”, ele afirmou.

“No Irã, como sabem, antes do brutal assassinato do Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, no início da agressão, existia uma fatwa que proibia categoricamente a produção de armas nucleares. A AIEA nunca registrou – apesar de o Irã ser o país mais inspecionado sob a jurisdição da Agência – qualquer suspeita de que urânio enriquecido pudesse ter sido desviado para fins militares.”

Em contraposição ao direito do Irã, como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de enriquecer urânio para uso civil, o regime Trump segue mantendo seu ultimato de “enriquecimento zero” e no ano passado chegou a bombardear as instalações nucleares iranianas – atingindo as proximidades da Usina de Bushehr – e declarou que o suposto “projeto nuclear iraniano” estava totalmente destruído, o que mudou quando optou pela guerra de agressão.

A declaração do chefe da diplomacia russa foi feita durante a visita a Pequim na quarta-feira, quando ele se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping. O ministro enfatizou a disposição da Rússia em ajudar a resolver os problemas relacionados ao programa nuclear iraniano e, especificamente, qualquer possível solução sobre o urânio enriquecido.

Segundo Lavrov, a possível ajuda poderia incluir o reprocessamento de urânio altamente enriquecido para convertê-lo em combustível para usinas nucleares ou a transferência de quantidades específicas para a Rússia para armazenamento, sempre respeitando o direito do Irã à energia nuclear civil. À semelhança do que ocorreu com o anterior acordo que Trump rasgou, o JCPOA, acordo, aliás, que o Irã cumpriu estritamente, conforme a própria AIEA, até o rompimento unilateral por parte do presidente magnata.

Lavrov enfatizou que a Rússia aceitará qualquer decisão que o Irã tomar em relação ao urânio enriquecido, observando que discutiu o assunto com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e com representantes dos Estados Unidos, Israel e Irã, e que a questão foi levantada repetidamente em contatos com o presidente russo, Vladimir Putin.

Nos últimos dias, Trump voltou à carga com suas acusações de que o Irã “busca uma arma nuclear”, um dos pretextos para o traiçoeiro desencadeamento de guerra ao país, em conluio com o regime de apartheid e genocídio israelense, agressão no momento sob trégua, mas prestes a se encerrar.

Conforme até a mídia americana, a resistência iraniana surpreendeu os agressores, que sofreram maciças perdas, a ponto de comentaristas assinalarem que a estratégia do Pentágono de “choque e pavor”, que ganhou fama na invasão do Iraque, se desmoralizou, assim como o ex-Domo, agora Peneira de Ferro.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou na quarta-feira (15) que Teerã não entrará em negociações para se submeter às condições impostas pelos Estados Unidos.

“Nosso critério são os interesses e direitos da nação iraniana. Se uma negociação se baseia na imposição de condições por uma das partes à outra, isso não é negociação, é ditadura e imposição, e a República Islâmica do Irã e a nação iraniana jamais aceitarão tal imposição”, afirmou ele em coletiva de imprensa.

O Irã apresentou 10 pontos para um possível acordo de paz em resposta à proposta dos EUA. As posições de Teerã abrangem seu programa nuclear para fins pacíficos, o levantamento das sanções, reparações e a cessação das hostilidades, acrescentou.

“É natural que, em qualquer negociação e diálogo, as partes apresentem seus próprios pontos de vista. O que aconteceu em Islamabad foi que o lado americano apresentou suas opiniões e, por sua vez, nós expressamos as nossas”, explicou Baghaei.

E partiu do vice-presidente americano, JD Vance, a decisão de se retirar das negociações – depois, como denunciaram os iranianos – de receber um telefonema do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O Irã tem advertido não recuará do direito legítimo de enriquecimento de urânio sob nenhuma circunstância. Teerã também rejeitou as repetidas acusações dos EUA e de Israel de que Teerã busca obter armas nucleares, afirmando que repetir essa “grande mentira” jamais mudará a realidade no terreno.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, revelou que em fevereiro o presidente Putin ofereceu a Washington a retomada do mecanismo, provado no JCPOA, sobre o urânio enriquecido iraniano. O envio do urânio enriquecido iraniano para a Rússia esvaziou a alegação de que o Irã estaria próximo de ter uma arma nuclear e facilitou chegar ao acordo JCPOA de 2015, assinado com o governo Obama e subscrito pelos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

RELIGIÃO DE TRUMP É O ‘ISRAELISMO’, DIZ TUCKER CARLSON

O jornalista Tucker Carlson, ex-âncora da Fox News e até recentemente um dos principais apoiadores de Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que a religião professada por Trump e por seu governo é o “israelismo”.

“Qual é a religião cívica dos Estados Unidos? Qual é a religião do governo americano? Qual é, francamente, a religião de Donald Trump? Não é o cristianismo, claramente. É o ‘israelismo’. É a defesa de Israel”, declarou o jornalista em novo podcast.

Carlson argumentou que “os EUA estabeleceram a defesa de Israel como o foco central de sua política externa”.

“Quem são os principais inimigos, identificados pelo presidente americano, de sua administração no âmbito interno? Quem são seus inimigos?”, questionou o jornalista.

“Quem ele ataca? Quem ele se esforça para minar? Bem, são as pessoas que duvidam de Israel, as pessoas que se opõem aos objetivos do governo secular de Israel”, concluiu.

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