Simone Tebet defende CPI para investigar o conluio entre Banco Master e bolsonaristas

Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento (Foto: Lula Marques - Agência Brasil)

“Fatos determinantes nós já temos”, declarou a ex-senadora e ex-ministra do Planejamento. Bolsonaristas fogem da CPI como o diabo da cruz

A ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB-SP), defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar com profundidade os crimes do esquema do Banco Master, inclusive seus braços políticos.

A CPI “é a única forma de nós fazermos uma limpeza cívica na política brasileira” e “é fundamental”, afirmou Tebet em entrevista ao canal SBT News.

“Ela é atemporal, se não sair agora, vai sair depois, bastam fatos novos. Fatos determinantes nós já temos”, declarou a ex-senadora.

“Se há algo que o Brasil não pode normalizar é esquema de corrupção. A gente fala muito da vida pública, mas esquece que há quem corrompe e quem é corrompido”, continuou.

BOLSONARISTAS

Uma CPI para investigar o caso Master é tudo o que os bolsonaristas não querem devido ao envolvimento de vários próceres com o banco falido.

O bolsonarista Ibaneis Rocha, ex-governador do DF, entregou o BRB para Vorcaro sustentar seu banco falido. Cláudio Castro, ex-governador do Rio, outro bolsonarista, torrou quase R$ 1 bilhão dos servidores do Rio de Janeiro com o Master.   

Ciro Nogueira, ex-ministro e aliado de Bolsonaro, apresentou uma emenda, a “emenda Master”, que acabou não sendo aprovada, de interesse de Vorcaro.

A emenda à PEC da autonomia financeira do Banco Central aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o montante coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para aplicações financeiras, que atua em casos de falência ou liquidação de bancos pagando aos clientes.

COLABORAÇÃO

O presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, está preso e negocia uma colaboração premiada.

As investigações já comprovaram que Vorcaro montou um esquema de fraudes que contava com agentes públicos, como o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e servidores do Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto.

Paulo Henrique Costa recebeu pelo menos R$ 146 milhões de propina. Os pagamentos ocorreram por meio da entrega de apartamentos, que eram de propriedade de empresas de fachada de Vorcaro.

O ex-presidente do BRB, que chegou ao cargo por indicação do bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), entregou pelo menos R$ 12 bilhões do banco público a Vorcaro.

Outro membro da organização criminosa, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, em 2022. Ele deu R$ 3 milhões para Jair e R$ 2 milhões para Tarcísio.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um jatinho de Vorcaro por um mês em viagens de campanha em 2022. Ele viajou junto com o pastor e empresário André Valadão, da Igreja da Lagoinha.

Durante a entrevista, Simone Tebet, que é pré-candidata ao Senado por São Paulo, disse que não tem preferência entre ser acompanhada por Márcio França (PSB) ou Marina Silva (Rede).

“Tenho reconhecimento e carinho pelos dois. Acho que os dois são igualmente preparados por toda sua história de vida e estarão, de alguma forma, na chapa majoritária”, declarou.

Para Tebet, a votação em São Paulo será decisiva para o resultado nacional na disputa à Presidência.

“A percepção do eleitor é sempre na base da comparação. Nós vamos comparar números, e contra números não há argumentos. Vamos mostrar o porquê da população ter condições de dar um quarto mandato ao presidente Lula”, completou.

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