Thiago Ávila desembarca em Guarulhos e relata enfrentamento com a “barbárie israelense”

Cantos de solidariedade, aplausos, bandeiras e faixas palestinas marcaram o desembarque do coordenador da Flotilha Global Sumud (Ópera Mundi)

Jovem brasileiro havia sido sequestrado pelas tropas de Netanyahu em águas internacionais e mantido trancafiado por dez dias nas masmorras de Israel

Em meio a cantos de solidariedade, aplausos, bandeiras e faixas palestinas, o ativista Thiago Ávila retornou ao Brasil nesta segunda-feira (11), após ser mantido trancafiado nas masmorras de Israel por dez dias, sob ameaça de ser executado ou permanecer preso por 100 anos, conforme divulgaram os sionistas.

O jovem havia sido sequestrado ilegalmente pelas tropas israelenses em águas internacionais no dia 30 de abril quando coordenava a segunda missão da Flotilha Global Sumud, na tentativa de furar o cerco impiedoso e cruel e levar alimentos à faminta população que padece na Faixa de Gaza.

Aclamado pelos manifestantes que tomaram a área de desembarque do aeroporto internacional de Guarulhos, Thiago viu revigorada “a luta pela Palestina livre”, “pelo rompimento das relações com Israel” e para que “nenhuma gota de petróleo saia do Brasil para sustentar a máquina de guerra israelense”.

Ávila desembarcou próximo das 17h30 em Guarulhos, onde fez escala antes de tomar outro voo para Brasília, onde haverá outra recepção, além de uma coletiva para a imprensa.

De acordo com as organizações presentes no aeroporto, o ativista acabou sendo retido pela Política Federal (PF) para um interrogatório, que teria terminado por volta das 18h30.

“PETRÓLEO BRASILEIRO NÃO PODE SERVIR AO GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO

Entre os inúmeros presentes que se encontravam aguardando Thiago estava Leandro Lanfredi, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (SindiPetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que reiterou o seu compromisso de que o petróleo brasileiro “não sirva ao genocídio do povo palestino”.

Para o dirigente petroleiro, a experiência em Gaza “foi uma situação desumana, mas claro, muito inferior à barbaridade que essa entidade racista reserva ao povo palestino, o que nós sofremos foi só uma fração do que as pessoas em Gaza sofrem”.

“Nada foi feito pelo governo grego a respeito dos abusos ao Thiago, ao espanhol-palestino Sair Abu Keshek e a todos os demais tripulantes. Ao contrário, toda essa tortura a qual eles foram submetidos foi permitida, e somente com as mobilizações, nós conseguimos que isso fosse interrompido, e eles fossem libertados. Mas a nossa luta segue para libertar cada um dos nove mil palestinos que são reféns nesse estado terrorista e, também, pela ruptura das relações comerciais e diplomáticas que o Brasil tem com essa entidade racista (Israel)”, acrescentou.

“No caso do Thiago, houve um acompanhamento maior, que foi importante para que ele se comunicasse com o mundo, mas nós precisamos de mais que isso. Esta luta não é só pelo Thiago, é por mais de nove mil palestinos presos, é pela Palestina, pelo que a luta do povo palestino representa para os povos do mundo”, concluiu Leandro Lanfredi.

“ATAQUE PUNITIVO A MISSÃO PURAMENTE CIVIL”

Em nota após a libertação, a ONG israelense Adalah, que representou os ativistas Thiago Ávila e Abu Keshek, assinalou que “as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”. “Trata-se de uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, publicou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na última terça (5) a libertação dos dois ativistas, frisando que “Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”.

Na quarta-feira (6), a Organização das Nações Unidas (ONU) se pronunciou pela imediata libertação imediata dos ativistas. “Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente”, afirmou o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan.

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