Trabalhadores exigem nas ruas que Senado destrave PEC do fim da escala 6×1

Ato pelo fim da escala 6x1, na Avenida Paulista. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Milhares de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, na noite da última terça-feira (30) pelo fim da escala 6×1. A mobilização convocada sindicatos, movimentos sociais e organizações estudantis exigiu a celeridade na votação da pauta PEC que reduz a jornada de trabalho e que está parada no Senado.

Outras pautas, como o direito à moradia, a liberdade de manifestação e o combate ao feminicídio foram discutidas e estavam presentes em cartazes e discursos. Nas palavras de ordem, ocorreram críticas a senadores e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pela falta de empenho na votação do tema. 

Durante o ato, o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB de São Paulo, René Vicente, destacou que a redução da jornada é uma reivindicação histórica da classe trabalhadora e do movimento sindical brasileiro.

“Essa luta histórica da classe trabalhadora é a luta por mais tempo de vida, mais dignidade no trabalho, mais dignidade com a nossa família. É a luta histórica pela redução da jornada de trabalho. Essa luta faz parte da nossa história. É por isso que estamos aqui, neste momento em que já tivemos uma vitória importante na Câmara dos Deputados e agora a pauta está no Senado”, afirmou.

René também defendeu a mobilização permanente para pressionar os senadores a aprovarem a proposta.

“Temos que pressionar para que votem a favor da redução da jornada de trabalho, sem redução do salário e pelo fim dessa nefasta escala 6×1, que aprisiona milhares de trabalhadores e trabalhadoras em nosso país. O nosso debate é por mais qualidade de vida, mais tempo com a família, para a formação, educação e para a saúde. Mais uma vez, as centrais sindicais acertam na unidade em defender essa pauta histórica do movimento sindical brasileiro. Vamos fazer o Brasil avançar no rumo do desenvolvimento, da humanização do trabalho e da distribuição de renda para o nosso povo. Viva a classe trabalhadora. Redução da jornada de trabalho já!”, concluiu.

A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução de salários. Desde então, a matéria aguarda despacho de Davi Alcolumbre, para iniciar sua tramitação na Casa.

No Rio de Janeiro, centenas de trabalhadores percorreram cerca de seis quilômetros entre o Terminal Gentileza e a Avenida Brasil. O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, destacou que categorias como o comércio convivem diariamente com jornadas exaustivas e afirmou que trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais.

No Rio Grande do Sul, a marcha saiu da Rodoviária de Porto Alegre até o Palácio Piratini. O presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, criticou a demora do Senado em analisar a proposta e cobrou que os senadores gaúchos revejam sua posição sobre o tema. 

“O Senado não avança por uma intransigência de Alcolumbre, que não bota para discutir, não bota na Comissão de Constituição e Justiça, não escolhe relator, e o projeto está lá parado”, disparou.

Parlamentares também marcaram presença ativa nas mobilizações, alinhando seu discurso à defesa intransigente dos direitos trabalhistas e à solidariedade entre categorias. No Rio de Janeiro, onde o ato se fundiu à greve dos rodoviários, a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) reforçou o apoio da legenda à classe trabalhadora e aos motoristas de ônibus.

“Mais um dia de greve, mais um dia de luta pelo fim da escala 6×1 e por salário digno. A classe trabalhadora não para até ter direitos de verdade”, afirmou a parlamentar do PCdoB, destacando que a conquista da jornada de 40 horas é um passo fundamental para a dignidade humana e para a saúde física e mental dos trabalhadores.

Manifestantes participam de ato pelo fim da escala 6×1 e caminham pela Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, relacionou a mobilização contra a escala 6×1 a vitórias históricas da classe trabalhadora. Para a líder estudantil, a resistência do Senado Federal em pautar a PEC reflete o impacto de um movimento que já demonstrou sua força ao mobilizar milhões de brasileiros em plebiscitos populares.

“Se hoje o Senado Federal se retrai e o Davi Alcolumbre tem medo, é porque ele já viu a capacidade da nossa luta de ser vitoriosa. Eles pensam que nos intimidarão, mas aqui está a classe trabalhadora que nunca teve nenhuma conquista que não tenha sido arrancada com muita garra. Foi assim com a jornada de 44 horas, com as férias e com o descanso semanal remunerado. Agora, nós vamos por muito mais: pelo fim da escala 6 por 1 e pela redução da jornada sem redução de salário. Nós, estudantes, não arredaremos o pé até dar fim a essa escala escravocrata”, disse a presidente da UNE.

Para a CTB e as demais entidades organizadoras, o avanço da PEC representa uma atualização histórica da legislação trabalhista, aproximando o Brasil de experiências internacionais que vêm reduzindo jornadas para ampliar a qualidade de vida, preservar a saúde dos trabalhadores e estimular ganhos de produtividade sem redução de direitos. Enquanto o Senado não pauta a matéria, a orientação das organizações é manter a mobilização permanente nas ruas e nos estados, ampliando a pressão social pela aprovação do fim da escala 6×1.

A articulação das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, junto às centrais sindicais, garantiu um amplo painel de mobilizações em pelo menos 14 estados e no Distrito Federal. Em vários estados, sindicatos aproveitaram o dia para ampliar a coleta de assinaturas, distribuir materiais informativos e estimular a população a pressionar diretamente os parlamentares.

Também houve mobilizações em diversas cidades de Santa Catarina, além de panfletagens, caminhadas e atividades de diálogo com trabalhadores em terminais urbanos, centros comerciais e locais de grande circulação.Em Minas Gerais, atos ocorreram simultaneamente em Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis, São João del-Rei e Teófilo Otoni.

No Ceará, Fortaleza antecipou a mobilização ainda na semana anterior, abrindo a campanha nacional, assim com manifestações e atividades em dezenas de cidades brasileiras.

As centrais sindicais anunciaram que a mobilização não se encerra com os atos desta terça-feira. A estratégia prevê novas manifestações, campanhas nas redes sociais e articulação direta com os parlamentares para impedir que a proposta permaneça parada no Senado.

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