Tropas da ocupação de Israel cercam escola e lançam bombas de gás contra crianças palestinas

Detalhes da “Operação Parede de Ferro” imposta pelos sionistas foram documentados pela AFP

Forças do fascista Netanyahu dispararam bombas de gás lacrimogêneo contra crianças palestinas que realizavam um protesto pacífico na Cisjordânia ocupada, após assaltantes de terras judeus bloquearem seu acesso à escola.

O exército israelense disse ter dispersado o que qualificou uma “reunião incomum”, sem admitir o crime praticado. A agressão criminosa acontecida em Umm Al-Khair, numa pequena vila na região de Masafer Yatta, no sul da Cisjordânia, tem sido uma constante praticada pelos nazi-israelenses, que inclui perseguição, tortura e assassinato.

Os estudantes deveriam ter retornado às aulas na segunda-feira pela primeira vez em mais de 40 dias, após a suspensão em decorrência do início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.

Em protesto contra a brutalidade do governo de Benjamin Netanyahu, um grupo de estudantes e moradores palestinos se reuniu próximo a uma cerca de arame farpado erguida por colonos israelenses e que bloqueava o acesso à escola, confirmou um jornalista da AFP, atestando o quão são abusivas e corriqueiras tais práticas sionistas.

“AULA AO AR LIVRE COMO FORMA DE PROTESTO”

Conforme os estudantes e adultos locais, eles participavam de uma “aula ao ar livre como forma de protesto” para reivindicar acesso à escola quando as tropas chegaram disparando bombas de gás lacrimogêneo. “Estávamos sentadas quando jogaram a bomba em nós. Fiquei com medo, comecei a gritar e saí correndo”, relatou Sarah Al-Hathaleen, de 12 anos. “Comecei a chorar. Uma mulher me abraçou e ficou comigo. Estávamos com muito medo”, acrescentou a menina.

De acordo com Bassam Jabr, diretor de educação da região de Masafer Yatta, as crianças faziam uma manifestação pacífica quando os militares desencadearam uma brutal repressão: “os colonos estão tentando nos sufocar de todas as maneiras”.

“Um desses métodos é bloquear a estrada para os estudantes e expandir o assentamento”, declarou Bassam, explicando o comportamento dos colonos do assentamento vizinho de Carmel, cujos moradores ergueram a cerca. “Infelizmente, não há soluções. Continuaremos com este protesto até encontrarmos uma solução para que os alunos possam retornar às suas escolas”, sublinhou.

Avesso ao diálogo, o exército invasor assinalou que ampliou suas tropas na área de Umm Al-Khair “devido a relatos de uma aglomeração incomum de palestinos na região”. “A aglomeração foi dispersada e não houve relatos de feridos”, apontaram os sionistas, cinicamente, sem justificar a prática criminosa que fez com que as crianças gritem e fujam dos seus abusos.

“Ontem à noite estávamos animados para ir à escola hoje. Os israelenses vieram e fecharam a estrada com arame farpado… queremos voltar para a escola”, protestou Rashid Al-Hathaleen, de 11 anos.

A região de Masafer Yatta é um conhecido foco de perseguição, violência e demolições praticada pelos colonos sionistas contra palestinos e suas habitações. Na vila de Umm Al-Khair, a ativista palestina Awdah Hathaleen foi executada em agosto do ano passado por um colono invasor, com a violência tendo aumentado com a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

A região de Massafer Yata ficou mundialmente conhecida depois de um filme produzido em conjunto por israelenses e palestinos ter vencido o Oscar ao relatar a destruição planificada de casas, infraestrutura e escolas.

Excluindo Jerusalém Oriental, mais de meio milhão de israelenses vivem atualmente na Cisjordânia em assentamentos ilegais segundo o direito internacional, em meio a cerca de três milhões de palestinos.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967.

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