Poucas horas antes do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, o presidente Donald Trump recuou da ameaça de mais bombardeio inclemente e anunciou que estava prorrogando a trégua supostamente a pedido do Paquistão.
A alegação agora é de que a pausa se prolongará “até que os representantes iranianos cheguem a uma proposta unificada para negociar a paz”, como se o plano de 10 pontos apresentado pelos iranianos não fosse “unificado”.
O cessar-fogo, acordado em 8 de abril, se encerraria nesta quarta-feira (22).
No entanto, Trump manteve o bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, em vigor desde 12 de abril e denunciado pelo Irã como “ato de pirataria” e violação do cessar-fogo, uma vez que sequestrou um cargueiro iraniano.
Antes de venha a ser, novamente, ironizado pelo apelido de “TACO” [Trump Sempre Amarela, em tradução livre], o inquilino da Casa Branca asseverou que atendeu a um pedido do marechal de campo paquistanês Assim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, que vêm atuando como mediadores.
Como todos sabem, Trump leva muito em consideração a opinião alheia, ainda mais de países do Sul Global. Mas, por via das dúvidas, também atribuiu sua hesitação aos iranianos, que estariam “fragmentados” e supostamente precisariam de tempo para apresentar “uma proposta unificada”.
Mahdi Mohammadi, assessor do presidente do Parlamento iraniano Mohammad Baqer Qalibaf, classificou a decisão da Casa Branca como “pouco relevante”. “A prorrogação do cessar-fogo por Trump é certamente uma manobra para ganhar tempo para um ataque surpresa”, ele postou nas redes sociais.
A Casa Branca também já comunicou que a viagem do vice JD Vance e dos ‘conselheiros’ Steve Witkoff e Jared Kushner foi adiada sine die. Reviravoltas descritas pelo jornal The Guardian: “Horas após anunciar que ‘esperava bombardear’, o presidente dos EUA adotou um tom fortemente diferente em uma postagem em sua plataforma Truth Social, dizendo que estenderia o cessar-fogo até que os negociadores iranianos apresentassem uma proposta de paz”.
Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera, a rejeição a Trump é de 62%; o preço da gasolina aumentou 35% após a guerra contra o Irã e as eleições intermediárias, que decidirão o controle do Congresso, serão em novembro.
O primeiro-ministro Sharif agradeceu a Trump por “permitir que os esforços diplomáticos em curso sigam seu curso.”
Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na terça-feira que “o motivo não é indecisão; o motivo são as mensagens contraditórias, os comportamentos contraditórios e as ações inaceitáveis da parte americana”.
“Em menos de nove meses, Washington atacou duas vezes a integridade do Irã, em meio a negociações, violando o direito internacional, causando o martírio de dignitários e cidadãos e danificando o patrimônio nacional”.
“Desde que as negociações sejam orientadas para resultados, o Irã decidirá sobre sua participação”, esclareceu.
No mesmo sentido, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, repudiou as acusações de Trump sobre compromissos não cumpridos pelo Irã no Estreito de Ormuz e no programa nuclear, frisando que os EUA não venceram nenhuma guerra com mentiras e não obterão qualquer avanço nas negociações por essa via.
A República Islâmica – ele enfatizou – defende seu direito ao uso pacífico do programa nuclear sem qualquer interferência externa e destaca a segurança das rotas marítimas estratégicas como prioridade, manifestando que nenhum recurso energético nacional estará sujeito a imposições estrangeiras.
Antes da meia volta de Trump, o general Majid Mousavi, chefe aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, ameaçou acabar com a produção de petróleo no Oriente Médio se a república islâmica enfrentasse ataques lançados a partir do território de seus vizinhos do Golfo. “Os vizinhos do sul devem saber que, se sua geografia e instalações forem usadas a serviço dos inimigos para atacar a nação iraniana, devem se despedir da produção de petróleo no Oriente Médio”.











