Vencedor nas eleições da Bulgária defende a autonomia estratégica da Europa

Novo premiê Radev em coletiva logo após a vitória nas urnas búlgaras (Saudi Gazette)

O candidato do partido Bulgária Progressista, Rumen Radev, obteve uma “vitória esmagadora” segundo a Bloomberg nas eleições de domingo passado, com 44,7% dos votos e maioria no parlamento, podendo governar sem formar uma coalizão.  Ex-presidente e ex-general da força aérea, ele defende uma reaproximação com a Rússia através da retomada do diálogo entre os dois países. A Bulgária é membro da União Europeia e também faz parte da Otan.

A votação de Radev foi a maior em uma década. Ele descreveu o resultado das eleições como uma “vitória da esperança sobre a desconfiança”. Para ele, seu partido superou a apatia da população e a instabilidade que tomava contra da Bulgária, que passou por oito eleições em um espaço de cinco anos. Ele se comprometeu, ainda, a combater a corrupção e a oligarquia.

“Pergunte ao Macron (o presidente francês), o primeiro-ministro da Bélgica, pergunte a outros líderes europeus, incluindo o chanceler Merz (da Alemanha), que disse que esse diálogo (com a Rússia) deve ser restaurado”, disse Radev a jornalistas, pouco depois do anúncio de sua vitória.

“Se queremos que a Europa tenha uma verdadeira autonomia estratégica. A Europa deve pensar muito seriamente sobre como vai garantir os seus recursos, porque sem recursos energéticos não podemos falar de competitividade”.

A coligação liberal pró-europeia, PP-DB, do primeiro-ministro Andrey Gyurov, ficou com 12,9% dos votos, enquanto a aliança conservadora, GERB-SDS, do ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, com 13,4%; eles dominavam a política na Bulgária mas tiveram que renunciar no final do ano passado.

Os protestos em massa de dezembro acabaram provocando a queda do governo do GERB-SDS com apoio do PP-DB. Os dois grupos, pró-ocidente, haviam formado uma aliança para governar a Bulgária entre 2023 e 2024.

Na Bulgária, para se formar um governo, um partido ou coalizão deve ganhar no mínimo 121 assentos na Assembleia Nacional do país que tem 240 assentos no total. A vitória do Bulgária Progressista varreu com os adversários e conquistou cerca de 131 a 134 assentos, podendo se quiser governar sem precisar de formar uma coalizão com outro partido político.

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