“Vivi o que judeus sofreram na 2ª Guerra”, diz irmã da presidente da Irlanda sequestrada por Israel

Margaret Conolly abre os braços ao chegar, liberada, no aeroporto de Istambul (Redes Sociais)

Margaret Conolly denunciou maus tratos pelos verdugos israelenses quando ficou aprisionada após apreensão de 50 barcos que levavam socorro humanitário a Gaza

A desembarcar no aeroporto da capital turca, dra. Margaret Connolly denunciou o agressivo e desumano tratamento recebido quando sob sequestro por forças de Israel

Ela e outros 427 ativistas se encontravam em 50 barcos com socorro humanitário dirigindo-se à Faixa de Gaza. A abordagem israelense se deu em águas internacionais, violando, portanto, todas as normas de preservação de direitos humanos nos mares.

A Dra. Connolly, expressou, em uma frase, o que experimentou sob custódia israelense: “Eu senti o que os judeus sentiram durante a 2ª Guerra Mundial”.

“Eu fiquei em um navio de Guerra na segunda e terça (18 e 20 de maio), o que significa que fomos sequestrados e mantidos detidos contra nossa vontade, no convés de um navio transformado em prisão”, acrescentou. “Um horror como em um campo de concentração”.

“Todos ficamos curvados durante horas e tínhamos que ficar de rosto colado ao chão. Os que erguiam a cabeça levavam chutes”, descreveu a irmã de Catherine Conolly, presidente da Irlanda”.

“Para eles não éramos humanos”, protestou a dra. Margaret.

“A crueldade dos soldados israelenses vai muito além do que se pode imaginar. Enquanto nos maltratavam, riam o tempo todo”, prosseguiu.

“Quando pedíamos água, recusavam, como alimento nos atiravam pão estragado”, relatou.

“Se é isso que eles fazem a europeus detidos em águas internacionais, dá para imaginar o que são capazes de fazer com os palestinos, adultos e crianças, mantidos em prisões aos milhares”, destacou.

Ela exigiu que a Irlanda adote sanções contra Israel e se declarou “envergonhada” do parlamento irlandês que, em sua maioria votou contra as sanções: “Covardes”. “Com esse comportamento, Israel merece ser banido da ONU”.

Ela também conclamou os Estados Unidos, Alemanha e demais países europeus a “cessarem o envio de armas para Israel seguir no genocídio. Eles estão negociando com um país nazista”.

“FOMOS TRATADOS COMO ANIMAIS”, DIZ JORNALISTA ITALIANO

Nesta quinta, ao chegarem a Istambul, outros ativistas também fizeram graves denúncias sobre agressão aos detidos por Israel.

O jornalista italiano Alessandro Montovani, que escreve no Il Fatto Quotidiano, também relatou as duras condições no aprisionamento, como a posição mantida por horas amarrados com as mãos para trás, tivemos os olhos vendados e fomos mantidos com o rosto colado ao chão: “Fomos tratados como animas”.

Depois de liberarem os presos, após intensa pressão internacional, o Serviço Prisional Israelense declarou que “agiu de acordo com os procedimentos recomentados” e ainda qualificou os ativistas humanitários de “terroristas”.

Acontece que o próprio chefe deste serviço, o ministro Ben-Gvir tratou de mostrar o contrário e vídeo filmado quando circulava provocando os presos e que depois fez questão de divulgar.

Toda essa barbárie provocou uma das maiores crises diplomáticas já vividas por Israel.

Polônia. Itália, França, Canadá, Bélgica, Austrália, Holanda e Reino Unido, foram os primeiros países a convocar embaixadores israelenses para perdir explicaçõe e exigir desculpas pelo tratamento desumano por Israel.

O ministro do Exterior da Irlanda chamou a atitude israelense de “espantosa e inaceitável”.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que o ministro Ben-Gvir está banido e proibido de entrar na Espanha e pediu medidas similares a outros países da Europa. O ministro do Exterior também da Espanha, José Manuel Albares condenou os tratamentos “monstruosos, indignos e humilhantes”.

A Suécia disse estar estudando sanções aos “ministros extremistas israelenses” e a Dinamarca declarou que deixou claro a Israel que “detentos devem ser tratados com respeito”. A Turquia, país de onde a Flotilha partiu na semana passada, qualificou as prisões de “ilegais” e apontou Gvir como “figura chave do genocídio perpetrado por Israel em Gaza”, que “mais uma vez expôs sua bárbara mentalidade”.  

“MARCAS DE ESPANCAMENTO”

De acordo com o grupo de advogados israelenses e palestinos, Adalah, que prestaram apoio aos sequestrados, três deles necessitaram atendimento hospitalar e dezenas dos participantes na Flotilha apresentaram marcas de espancamento.

Segundo a organização de juristas, muitos foram atacados com tasers e outros foram atingidos com balas de borracha.

O deputado italiano, Dario Carotenuto, relatou haver sido esmurrado no olho, o que me deixou cego por algum tempo. Vi outros com problemas nos olhos e ouvidos e mulheres informando de violência sexual.

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