Pressionada por juros altos, indústria da construção tem janeiro desastroso, denuncia CNI

Indicadores mostram perda de ritmo do setor. (Foto Iano Andrade/CNI)

Forte elevação da taxa de juros ocorrida no ano passado afetaram os investimentos e o emprego

A indústria da construção registrou o pior janeiro dos últimos 9 anos, segundo a “Sondagem Indústria da Construção”, pesquisa mensal da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), divulgada nesta quinta-feira (26).

Em janeiro de 2026, o índice que mede o nível de atividade da indústria da construção registrou 43,1 pontos, pior resultado do indicador para o mês desde 2017.  Desta forma, o índice se afastou ainda mais da linha divisória de 50 pontos, que quando mais se afasta dos 50 pontos maior é a intensidade da queda. Quando o indicador está acima dos 50 pontos, sinaliza-se que houve crescimento da atividade. 

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, atrela o baixo desempenho da construção aos juros altos, que encareceram o crédito e prejudicam a demanda.

“Os índices, de uma forma geral, do desempenho da indústria da construção ficaram abaixo do usual para o período, refletindo a forte elevação da taxa de juros ocorrida no ano passado, que foi afetando sobremaneira a atividade do setor ao longo de 2025 e que continua exercendo influência agora no índice de 2026”.

Em 2025, o Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) a 15% ao ano, o mais alto patamar em 20 anos, com o juro real (descontada a inflação) acima de 10%, inibindo o crédito, a demanda e a geração de empregos no país. Em janeiro deste ano, o BC manteve a Selic em 15%, sob protestos do setor produtivo e das centrais sindicais.

Também houve quedas nos indicadores de evolução do número de empregados, que recuou de 45,7 pontos em dezembro de 2025 para 45,3 pontos em janeiro de 2026. Esse é o terceiro recuo mensal seguido do índice. 

Já a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) apresentou uma queda de 3 pontos percentuais, de 67% para 64%, marcando o menor patamar em cinco anos. 

Em fevereiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção permaneceu em 48,6 pontos. Ao todo, o indicador está há 14 meses abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando quadro persistente de falta de confiança dos empresários do setor.

A CNI destaca que em fevereiro todos os índices relacionados às expectativas dos empresários da construção para os próximos seis meses caíram: Compra de insumos e matérias primas: -2 pontos, para 50,5 pontos; Novos empreendimentos e serviços: -1,7 ponto, para 51,2 pontos; Número de empregados: -1 ponto, para 51,8 pontos; e Nível de atividade: -0,7 ponto, para 52,1 pontos.

Outro indicador de suma importância, o índice que mede a intenção de investimentos  do setor, caiu 1,7 ponto, de 44,6 pontos para 42,9 pontos, após quatro altas consecutivas.

“Essa falta de confiança que agora chegou a 14 meses consecutivos em fevereiro de 2026, reflete o cenário de elevação da taxa de juros e sua manutenção em um patamar bastante elevado ao longo da maior parte de 2025”, destaca o economista. “Isso [os juros] foi dificultando o setor, encarecendo o investimento e reduzindo a demanda do setor e trazendo essa preocupação, uma avaliação negativa com relação às condições de negócio, com relação à preocupação com a economia brasileira também e minando as expectativas e com isso a falta de confiança que já perdura bastante tempo”.

Ao todo, a CNI ouviu 312 empresas entre 2 e 12 de fevereiro de 2026, destas, 122 são de pequeno porte, 125 médio portes e 65 de grande porte.

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