“Isso vem lá de trás”, diz Alckmin, sobre os crimes do Banco Master

Vice-presidente da República e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (Foto Cadu Gomes - VPR)

“O presidente Lula quer tudo apurado e que os responsáveis sejam punidos”, acrescentou o vice-presidente da República

O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu na terça-feira (10), em entrevista à Agência Brasil, a apuração rigorosa e punição a todos os envolvidos no escândalo do Banco Master, que gerou prejuízos bilionários a investidores e entidades públicas e privadas do país.

“Você não tem um desfalque, uma fraude, do ponto de vista bancário, que começou ontem. Isso vem lá de trás”, disse Alckmin, numa referência ao fato do Banco Master ter tido uma atuação temerária e ter obtido um crescimento tão explosivo durante o governo Bolsonaro.

As investigações mostraram que a partir de 2019, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, deu a autorização para o Master atuar em áreas como consignado, CDBs e outras. Antes disso, o banco era insignificante e nem podia operar no mercado.

Ao mesmo tempo que recebia a autorização de Campos Neto para captar recursos, o Master obteve ajuda de ministros do governo da época que ampliaram a margem dos consignados. A partir disso, o Master explodiu de ganhar dinheiro. Não foi por acaso que Ronaldo Bento, último ministro da cidadania de Bolsonaro, que atuou pela liberação do consignado do Auxílio Brasil, acabou virando diretor do Master.

“Agora, está ficando claro que tinham pessoas dentro do Banco Central, que é o órgão responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento do sistema financeiro, que tinham envolvimentos. Já ficou claríssimo isso. Tem que ser feita apuração rigorosa, punição rigorosa”, disse Alckmin.

A promiscuidade do bolsonarismo com os crimes do Banco Master ficou clara também no fato do banqueiro ter sido o maior contribuinte individual da campanha de Jair Bolsonaro na campanha de 2022. O banqueiro doou R$ 3 milhões para a campanha de Bolsonaro.

Vorcaro, dono do banco, também injetou R$ 2 milhões na campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. Ou seja, a ideia era manter Bolsonaro no governo para prosseguir com a roubalheira. O Banco Central passou os quatro anos do governo Bolsonaro fazendo vista grossa para a atuação criminosa do Banco Master.

As investigações da Polícia Federal mostraram que os golpes do dono do Master contaram com apoio de políticos ligados ao bolsonarismo. O governador de Brasília, Ibaneis Rocha, por exemplo, autorizou que o BRB, banco público de Brasília, comprasse uma carteira abarrotada de títulos podres do Master por R$ 12 bilhões. Não satisfeito, o governador autorizou a compra do Master.

A operação foi tão escandalosa que o Banco Central impediu a sua concretização. As investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, já no governo Lula, descobriram que havia falsificações grosseiras e crimes praticados pelo banqueiro, que acabou sendo preso.

O vice-presidente comentou sobre a posição do governo e do presidente Lula em relação ao episódio, e assegurou a total liberdade investigativa da Polícia Federal.

“O presidente Lula tem sido claro. Ninguém no governo limita investigação. Nenhuma. É investigação rigorosa. Polícia Federal tem liberdade, o Ministério Público, Poder Judiciário. É apurar e fazer justiça, é isso que se deseja. E, de outro lado, responsabilizar e aprimorar os instrumentos de controle. Isso já poderia ter sido pego lá para trás”, observou.

Além de investigar e punir os responsáveis, Alckmin defendeu o fortalecimento das instituições, incluindo o BC e outros órgãos de controle. “Esse é um processo permanente de você melhorar as instituições, aprimorar as instituições. Na democracia, tem que ter transparência, tem que ter clareza”.

Com informações da Agência Brasil

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