Inflação fica em 0,70% em fevereiro puxada por educação e transporte. Alta afeta renda dos brasileiros

Com o peso dos reajustes nas mensalidades escolares, o IPCA acelerou em fevereiro. (Foto Alba Rosa/AEN)

Em doze meses, IPCA desacelera de 4,4% para 3,81%

A inflação subiu 0,70% em fevereiro puxada pelos altos preços nos reajustes das mensalidades escolares e no transporte, pressionando a renda das famílias brasileiras, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (12). O resultado ficou bem abaixo do registrado em fevereiro do ano passado (1,31%). Em doze meses, o IPCA desacelerou, de 4,44% no acumulado até janeiro para 3,81% até o segundo mês do ano. No ano, a inflação acumula alta de 1,03%.

Como de praxe para o mês de fevereiro, o IPCA voltou a ser infernizado pelos reajustes anuais – sempre para cima – das mensalidades de escolas e cursos. 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne na terça e quarta (17 e 18) da próxima semana para dar início ao ciclo de redução da Selic, como sinalizado na última ata da reunião do colegiado, realizada em janeiro de 2026. 

No entanto, instituições financeiras e os paladinos do atraso econômico na grande mídia, usam a atual alta do preço do barril de petróleo, provocada pela guerra imperialista dos EUA contra o Irã, para pressionar o Copom a permanecer ou elevar ainda mais o nível da Selic, que hoje está em 15% ao ano. Descontada a inflação projetada para este ano (3,91%) da Selic, o juro real chega próximo dos 11%, mantendo o Brasil entre as maiores taxa de juros reais do planeta.

IPCA de fevereiro, por grupo

Segundo o IBGE, os dois grupos – Educação e Transportes – representaram aproximadamente 66% do resultado do mês de fevereiro deste ano.

O grupo Educação apresentou a maior variação (5,21%) e o maior impacto (0,31 p.p.) no índice geral – respondeu por cerca de 44% do IPCA. No mês, os cursos regulares subiram 6,20%. As maiores variações foram nos subitens ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).

“Na comparação com o ano anterior, a Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025”, afirma o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, ao destacar que em fevereiro do ano passado, no IPCA também foi alavancado pelos preços da energia elétrica.

Outra pressão importante veio do grupo Transportes, que apresentou alta de  0,74% e o segundo maior impacto no índice de inflação de fevereiro (0,15 p.p.). Neste grupo, o resultado veio na esteira do aumento das passagens aéreas (11,40%). 

Por outro lado, houve quedas nos preços dos combustíveis (-0,47%),  influenciadas pelos recuos na gasolina (-0,61%) – refletindo a queda de 5,20% dos preços da gasolina na refinaria da Petrobrás, em 27 de janeiro deste ano. Já o etanol (0,55%) e o óleo diesel (0,23%) subiram no mês.

Os grupos Educação e Transportes representaram aproximadamente 66% do resultado do IPCA de fevereiro.

Os demais resultados do grupos do IPCA variaram entre a alta de 0,59% em Saúde e cuidados pessoais e de 0,15% em Comunicação. Veja a seguir:

Alimentação e bebida: 0,26%;

Habitação: 0,30%;

Artigos de residência: 0,13%;

Vestuário: 0,16%;

Transportes: 0,74%;

Saúde e cuidados pessoais: 0,59%;

Despesas pessoais: 0,33%;

Educação: 5,21%;

Comunicação: 0,15%.

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