Governo federal e Embraer apresentam primeiro caça supersônico produzido no Brasil

Presidente Lula e autoridades no batismo do caça supersônico brasileiro - Foto: Embraer

Foi apresentado nesta quarta-feira (25), o primeiro caça supersônico F-39E Gripen produzido no Brasil, no aeródromo da Embraer, em Gavião Peixoto (SP). Durante o evento, Lula batizou o caça, acompanhado do vice, Geraldo Alckmin; do ministro da Defesa, José Múcio; da ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos; do comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno; do CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto; e do presidente e CEO da Saab, Micael Johansson.

“Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou o presidente, nas redes sociais.

O Gripen, da empresa sueca Saab, é um caça equipado com sistemas avançados de combate e alta capacidade de operação em diferentes cenários. O modelo nacional foi montado pela Embraer em parceria com a empresa sueca, e faz parte do programa de modernização da FAB, com transferência de tecnologia sueca e participação direta de engenheiros brasileiros na produção.

O F-39 substitui os antigos caças F-5, de origem americana, que estavam em operação há décadas. O acordo com a Suécia prevê a aquisição de 36 aeronaves dentro do acordo firmado em 2014 com a fabricante, sendo 15 deles produzidos no país. O investimento total é de US$ 4 bilhões (21,25 bilhões de reais).

Armas como o míssil Meteor, considerado um dos mais letais da atualidade, e canhão poderão ser usados em missões de defesa, reconhecimento e ataque. Em novembro de 2025, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou o primeiro lançamento do míssil.

Presidente Lula batizou o caça supersônico brasileiro – Foto: Ricardo Stuckert / PR

O evento também contou com a presença da Embaixadora da Suécia no Brasil, Karin Wallensteen; além de executivos das empresas envolvidas no programa, incluindo Micael Johansson, Presidente e CEO da Saab, e Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer.

O comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno considerou a entrega da aeronave supersônica como “a mais importante da história da aviação nacional”. Segundo ele, este batismo cerimonial consolida a transição do planejamento à execução, bem como da expectativa à realidade, disse ao lembrar que, das 36 aeronaves adquiridas, 15 serão produzidas em instalações brasileiras, o que favorecerá uma cadeia produtiva de elevado valor agregado.

“Temos totais condições de produzir mais aeronaves Gripen em território nacional, uma vez que já dispomos de uma base industrial e tecnológica sólida, de capital humano altamente qualificado e, principalmente, da visionária capacidade de empreender e inovar, típica do DNA brasileiro”, acrescentou.

“Sentimos grande orgulho em apoiar a Força Aérea Brasileira neste projeto e em desenvolver, no Brasil, a capacidade de produzir uma aeronave de caça supersônica de alta tecnologia, plenamente apta a cumprir missões de superioridade aérea e a contribuir para a defesa da soberania do nosso território. A apresentação do primeiro Gripen produzido no Brasil representa mais um marco relevante na colaboração estratégica entre Brasil e Suécia. Temos plena confiança de que essa parceria gera valor para ambos os países e possui grande potencial para abrir novas oportunidades de negócios”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

“A entrega do primeiro Gripen produzido no Brasil representa muito mais do que a conclusão de uma aeronave; simboliza a força de uma parceria construída sobre confiança, visão de longo prazo e verdadeira cooperação. Estamos extremamente orgulhosos do que alcançamos lado a lado com nossos parceiros brasileiros. A Saab permanece totalmente comprometida em ampliar e aprofundar sua presença no Brasil, fortalecendo o país industrial e tecnologicamente, além de consolidá‑lo como um polo exportador para o mundo”, afirmou Micael Johansson, Presidente e CEO da Saab.

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA

A aeronave pode atingir velocidades de até 2,4 mil km/h, o equivalente a cerca de duas vezes a velocidade do som, e tem autonomia de até duas horas e meia de voo. Ela também conta com capacidade de reabastecimento em pleno ar, o que amplia ainda mais seu alcance operacional.

Em fevereiro deste ano, pela primeira vez, o caça foi colocado em alerta de defesa aérea no país. Isso significa que a aeronave já pode ser empregada em missões reais e passa a ser responsável pela proteção do espaço aéreo da capital federal.

Segundo a FAB, a fabricação do Gripen em território nacional consolida o Brasil como um polo de alta tecnologia. Ainda, a transferência de tecnologia conta com mais de 300 engenheiros brasileiros que participaram do projeto e de treinamentos na Suécia. Além de mais de 2 mil empregos diretos na frente de produção e 10 mil postos de trabalho.

De acordo com a Embraer, antes da entrega final ao cliente, a aeronave passará por testes funcionais e voos de ensaio. Concluída essa etapa, o caça se juntará às outras dez unidades já entregues ao Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1o GDA), na Base Aérea de Anápolis.

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