Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana receberam R$ 8 milhões e R$ 4 milhões, respectivamente, de propina do Banco Master para favorecerem o banco de Daniel Vorcaro dentro do Banco Central
Os ex-diretores do Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, receberam R$ 8 milhões e R$ 4 milhões, respectivamente, de propina do Banco Master para atuarem em favor da instituição privada dentro do BC.
Segundo o Estadão, mensagens obtidas pela Polícia Federal flagram Paulo Sérgio, que era diretor de Fiscalização, e Belline, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, trocando documentos com o Banco Master a fim de favorecer suas operações.
De acordo com o relatório final da sindicância patrimonial do BC, Paulo Sérgio de Souza recebeu a propina por meio da venda “fantasma” de uma fazenda localizada em Minas Gerais para um fundo ligado ao Banco Master.
Já Belline Santana criou, em julho de 2025, uma empresa “de fachada” que supostamente atuaria na capacitação de jovens e crianças carentes. A empresa seria localizada na residência do agente financeiro e usaria o telefone falso “(11)9999-9999”.
A empresa recebeu R$ 4 milhões de Leonardo Palhares, que é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Palhares utilizou a empresa Varajo Consultoria para fazer os pagamentos.
O grupo criminoso não fez um grande esforço para dar um aspecto de legalidade para os pagamentos, uma vez que R$ 2 milhões foram pagos para que Belline Santana produzisse um estudo de 50 páginas sobre educação financeira.
Os investigadores do Banco Central descrevem o serviço como “pouco crível”, pois o estudo poderia “ser facilmente produzido com uso de inteligência artificial (IA), ou mesmo solicitado a terceiros, tais como estudantes ou estagiários, a baixíssimo custo”.
Além disso, ressaltam que um pagamento de R$ 2 milhões por um estudo sobre educação financeira – “mesmo duvidoso” – seria feito para alguém que fosse “sumidade no assunto”, o que não é o caso.
Outro ligação entre Belline e o Banco Master se deu por meio da contratação do servidor do Banco Central para palestras em um projeto chamado “Jovens Potentes”.
Quando questionado, “o servidor investigado sequer tinha domínio ou noção exata do próprio objeto do contrato, a constituir forte indício de que o negócio jurídico foi parte de manobra artificiosa para ‘esquentar’ o recebimento de recursos”, apontam os procuradores do BC.
Ou seja, o contrato “foi mero negócio simulado para tentar dar aspecto legítimo ao pagamento ilícito feito ao contratado”.
Daniel Vorcaro montou todo o seu esquema criminoso de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro durante a gestão de Roberto Campos Neto na Presidência do Banco Central. O banqueiro está preso e negocia uma delação premiada.











