Submissão de Milei ao FMI faz dívida externa argentina aumentar 36% em um ano

Após atolar Argentina em dívidas, Milei vai a NY para entregar minerais e agricultura do país (AP)

A dívida da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) totalizou US$ 57,25 bilhões em 12 de abril, representando um aumento de 36% desde que o país sul-americano assinou um novo programa de Financiamento Ampliado com o organismo em 11 de abril de 2015.

Na época da assinatura do acordo, a Argentina já era o maior devedor do FMI, posição que mantém, com dívidas representando 34,5% do total de empréstimos pendentes junto à organização.

O acordo assinado por Milei, submisso aos interesses imperialistas norte-americanos, tinha como um de seus principais objetivos reforçar as escassas reservas do Banco Central, com empréstimos totalizando 20 bilhões de dólares, dos quais 12,398 bilhões foram desembolsados ​​logo após a assinatura do pacto, exatamente para pagar dívidas já contraídas e pendentes. Ou seja, maior parte do dinheiro vindo do FMI não entra na Argentina, vai para o organismo de sucção das finanças argentinas.

METAS NÃO CUMPRIDAS

O programa inclui nove revisões que implicam em submissão às regras do Fundo, e o desembolso de novos recursos depende da aprovação de cada uma delas.

A primeira revisão foi concluída em julho de 2025. A Argentina atingiu as metas de economia fiscal e emissão monetária zero como força o Fundo, mas não alcançou a meta de ampliar reservas, o que era impossível com a estagnação da economia causada exatamente devido à submissão ao Fundo.

O FMI passou por cima dessa situação para aprovar o desembolso de US$ 2,083 bilhões em agosto. Além disso, a organização ‘flexibilizou’ as metas futuras de reservas.

A segunda revisão, que depende de um novo desembolso de US$ 1 bilhão, teve início em fevereiro passado com a visita de uma missão do FMI a Buenos Aires e ainda não foi concluída.

O resultado dessa relação destrutiva com o FMI, que inclui a imposição de arrocho na economia é que o país se vê de um calendário apertado de pagamentos. Até o fim de 2026, a Argentina terá que quitar aproximadamente US$ 3,605 bilhões junto ao FMI. O próximo vencimento, de US$ 805 milhões, está previsto para maio.

TAMBÉM ENTREGA MINERAÇÃO E AGRICULTURA

Diante desse cenário, a equipe econômica argentina, liderada pelo Ministro Luis Caputo e pelo Presidente do Banco Central, Santiago Bausili, viajou a Washington para participar das Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, com um objetivo de desbloquear o desembolso pendente de US$ 1 bilhão, para quitar dívidas e seguir ampliando-as junto ao FMI.

Sem saída para sua desastrosa submissão, o governo, por meio de eventos como a “Semana Argentina 2026” em Nova York, busca atrair capital, concentrando-se em entregar setores como mineração e agricultura.

Com mais de 21.000 empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300.000 postos de trabalho, os argentinos têm se manifestado diversas vezes contra o pacote neoliberal enfaticamente intitulado “Lei de Modernização do Trabalho” aprovado em fevereiro passado.

O esbulho determina a possibilidade do pagamento do salário em qualquer moeda – ou até mesmo em  “espécie, habitação ou alimentos”;  amplia a jornada de trabalho de oito para até 12 horas diárias; cria o “banco de horas” – substituindo o pagamento de horas extras por compensações futuras; fragmenta o período de férias; reduz as indenizações por demissão, que passam a ser calculadas apenas sobre o salário básico, excluindo itens como 13º, férias e adicionais; acaba com o direito à greve para a maioria dos servidores públicos e amplia de três para oito meses o período de experiência – e de direitos mínimos – da maior parte dos trabalhadores – chegando a até um ano.

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