“É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais”, disse Flávio Dino
A CPI do Crime Organizado, presidida pelo senador Alessandro Vieira (MDB-ES), terminou seus trabalhos com a rejeição, por 6 votos a 4, do relatório que livrou criminosos e centrava no indiciamento de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O comportamento da CPI, não investigando as milícias, as facções e nem criminosos escancarados, como Daniel Vorcaro, Ibaneis Rocha, Ciro Nogueira, Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro, Campos Neto e outros, parecia mais ter sido uma CPI “do crime organizado” e não uma CPI “contra o crime organizado”.
O ministro Flávio Dino, do STF, alertou que “é uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais”. Para Dino, tratar o STF como “o maior problema nacional” é “gigantesco erro histórico”.
O decano do STF, Gilmar Mendes, também reagiu publicamente. Classificou o relatório como “constrangimento institucional” e afirmou que o documento compromete a credibilidade dos próprios parlamentares que o subscrevem.
Para Gilmar, a iniciativa pode configurar abuso de autoridade e deveria, inclusive, ser analisada pela Procuradoria-Geral da República. O ministro também questionou a condução da CPI, apontando o que chamou de “excessos” e lacunas investigativas.
O presidente do Banco Central na gestão de Jair Bolsonaro, Roberto Campos Neto, deu autorização para que o Banco Master, que, ainda quando se chamava Máximo, estava proibido de funcionar, voltasse a atuar no mercado. Este banco estranhamente autorizado a funcionar deu um golpe de mais de R$ 50 bilhões no país e seu dono está preso. Como se explica que Campos Neto não tenha sido investigado?
O governador do DF, o bolsonarista Ibaneis Rocha, autorizou a compra pelo BRB de uma carteira de crédito falsa do Master por R$ 12 bilhões e ainda tentou salvar o banqueiro ladrão forçando o banco público a comprar o banco fraudulento. Não houve proposta de indiciamento de Ibaneis Rocha.
O candidato do bolsonarismo, Flávio “Rachadinha”, que, como todos sabem, tem ligações com as milícias do Rio de Janeiro e que indicou três nomes para o governo do estado, todos eles presos por ligações com o Comando Vermelho. Esse personagem do crime não foi investigado. Um escândalo.
Por tudo isso, o relatório foi rejeitado na CPI e a manobra para encobrir os criminosos e centrar no Supremo e na PGR, exatamente quem dá o respaldo jurídico para o combate a todos os tipos de crime, desgastou bastante a figura da CPI. Esse é um instrumento sério e não pode servir para acobertar criminosos e servir de palanque para demagogos.











