Executivo do BRB teria recebido propina em imóveis no valor de R$ 146 milhões. Governador autorizou negociata de venda do Master ao banco público de Brasília
A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), em sua nova fase, prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
O executivo foi nomeado por Ibaneis Rocha e conduziu a tentativa de venda do Master ao BRB. A operação de compra bilionária de um banco em estado pré-falimentar escandalizou o país. O BRB já tinha comprado uma carteira de crédito completamente bichada do Master por R$ 12 bilhões.
Tanto a negociata da carteira fraudulenta como a venda do banco teve apoio do governador. Operações desta envergadura não são feitas sem o aval do Executivo. É claro que as propinas de Daniel Vorcaro, que já vinham desde a estranha aprovação para o funcionamento de seu banco, que foi dada por Roberto Campos Neto, também foram distribuídas para executivos do banco público. Mas as principais decisões vinha de cima.
De acordo com investigadores, Paulo Henrique Costa teria recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro em troca de facilitar o esquema envolvendo da venda do banco Master. Dois desses empreendimentos sediados na capital federal.
A PF informou, em nota, que a operação desta quinta investiga “crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa”. É a primeira vez que a polícia fala em corrupção de agente público do Distrito Federal no âmbito das apurações sobre o Master e o BRB. Segundo os autos, Costa defendeu a compra do Master pelo BRB como uma solução para a crise da instituição privada. Após o avanço das investigações, ele foi afastado do comando do banco público.
Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que parte dos valores pagos ao Master não teria sido recuperada após a liquidação. A PF ainda apura se esse montante corresponde ao prejuízo efetivo e se houve responsabilidade criminal ou administrativa.
Ao todo, são cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, em endereços ligados aos alvos e ao Master. O ex-presidente do BRB será encaminhado para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, após passar por audiência de custódia.
O outro alvo de mandado de prisão é o advogado do Master, Daniel Monteiro. Ele é apontado como o administrador de vários fundos usados em operações financeiras para dificultar a rastreabilidade do dinheiro de movimentação ilícita. Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição.
O ex-executivo do BRB foi afastado em novembro após decisão judicial com a primeira fase da operação. Costa é formado em administração de empresas com especializações na área financeira em universidades do exterior e possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.











