“Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse o presidente
O governo dos Estados Unidos ordenou que um delegado brasileiro que participou da prisão do ex-deputado condenado no Brasil, Alexandre Ramagem (PL-RJ), deixe o país. A medida foi divulgada na segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano.
Ao ser informado, o presidente Lula disse que não sabe o que aconteceu no caso do delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem nos EUA e afirmou que pode usar reciprocidade contra um americano no Brasil. “Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse Lula na porta do Hotel em Hannover, em conversa com a imprensa.
O presidente ainda afirmou que não aceitará ‘essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil’.
O Ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira também falou sobre o assunto. “Essa notícia não tem fundamento. Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas”, disse o ministro. Vieira ressaltou que o delegado trabalha em conjunto com as autoridades americanas em Miami e que ‘todos sabiam’ dessa função.
Já o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, complementou informando que o delegado está há mais de dois anos nos EUA realizando a atividade.
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), foi questionado pela imprensa sobre o assunto durante uma agenda na Catedral de Brasília nesta terça-feira (21). Alckmin foi na mesma linha do presidente Lula e citou reciprocidade.”O Brasil sempre tem a lógica da reciprocidade, mas acho que a gente deve aguardar. Vamos aguardar.”
Os Estados Unidos acusaram o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE), e participou da prisão de Ramagem. Carvalho foi nomeado para atuar em Miami em março de 2023, em uma missão junto ao ICE com duração de dois anos. Entre as funções está a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira nos EUA.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz o texto.
A Casa Branca acusou autoridades brasileiras tentaram “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” no país. O governo brasileiro não concorda com essa avaliação já que Ramagem está foragido nos EUA depois de ser condenado pela Justiça brasileira por participação de tentativa de golpe de Estado.
Em março de 2025, o governo publicou uma portaria que prorrogou a permanência dele na missão até agosto deste ano. Ramagem foi detido pelo ICE no dia 13 de abril em Orlando, na Flórida. Naquele dia, a PF informou que ele havia sido preso por questões migratórias e levado a um centro de detenção.
Membros do ICE informaram à PF que Ramagem poderá aguardar em liberdade, nos EUA, a análise de um pedido de asilo. Autoridades brasileiras começaram a preparar um relatório com informações e documentos para tentar acelerar a deportação dele para o Brasil.
Ramagem fugiu do Brasil em 2025 após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é acusado de integrar o núcleo central da trama, que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder. O ex-chefe da Abin saiu do país de forma clandestina antes do fim do julgamento. Informações apontam que ele cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana e, depois, seguiu para os Estados Unidos.
Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição do ex-deputado foi encaminhado ao governo norte-americano. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado em 30 de dezembro de 2025.











