Diretores do filme sobre médicos mortos em Gaza recebem prêmio BAFTA e criticam censura pela BBC

Diretores do documentário "Gaza: Médicos sob Ataque", ao receberem o prêmio BAFTA (Ilan West/PA)

Os diretores do documentário que expõe os ataques de Israel a hospitais em Gaza e o assassinato de mais 1.700 médicos palestinos, ‘Gaza: Médicos Sob Ataque’, criticaram veementemente a agência inglesa BBC, condenando, como censura,  a decisão da emissora de engavetar o projeto

A denúncia dos diretores se deu durante seus discursos de agradecimento, ao receberem a premiação BAFTA, de TV, no domingo (10).

Antes de premiação, a BBC retirou parte do financiamento e, depois do documentário pronto, retirou a entrada no ar pela emissora, como havia sido programado. O documentário acabou sendo divulgado pelo Chanel 4.

O filme venceu na categoria ‘Atualidades’. O BAFTA é considerado a maior honraria da televisão britânica.

O documentário, que mostra relatos de chacina, em primeira mão, de profissionais de saúde palestinos em Gaza, foi homenageado no Royal Festival Hall de Londres quase um ano depois da BBC ter se recusado a transmiti-lo, argumentando, sem se preocupar com fatos nem com a realidade, “preocupações com parcialidade”.

O produtor executivo Ben de Pear, ao receber o prêmio, agradeceu aos jornalistas responsáveis ​​pelo filme antes de se dirigir diretamente à principal emissora de rádio e televisão pública do Reino Unido, que transmitiu a cerimônia do Bafta na BBC (que não pode evitar de transmitir a premiação com mais de duas horas de atraso):

“Por fim, apenas uma pergunta para a BBC: já que vocês retiraram nosso filme da programação, vocês também vão nos retirar da exibição do BAFTA hoje à noite?”

A jornalista e apresentadora Ramita Navai também criticou a emissora durante seu discurso, citando as conclusões da investigação do documentário sobre os ataques ao sistema de saúde de Gaza.

“Estas são as conclusões da nossa investigação, que a BBC pagou, mas se recusou a exibir”, disse Navai. “Mas nós nos recusamos a ser silenciados e censurados. Agradecemos ao Channel 4 por exibir este documentário”.

Navai afirmou que mais de 1.700 médicos e profissionais de saúde palestinos foram mortos e mais de 400 foram detidos durante a guerra genocida de Israel contra os palestinos em Gaza. Ela dedicou o prêmio aos profissionais de saúde palestinos que ainda estão presos em prisões israelenses.

O documentário foi produzido pela Basement Films, com contribuições de jornalistas palestinos que arriscaram a vida para registrar as imagens. A equipe local operava diariamente sob constante ameaça.

BBC ENCOMENDOU E DEPOIS ACHOU MELHOR NÃO EXIBIR

A BBC originalmente encomendou o documentário à produtora independente Basement Films há mais de um ano, mas adiou seu lançamento.

Posteriormente, a emissora decidiu censurar e não exibir ‘Gaza: Médicos Sob Ataque’, sob a esfarrapada desculpa de que o filme corria o risco de criar “uma percepção de parcialidade que não atenderia aos altos padrões que o público espera, com razão, da BBC”.

O filme foi posteriormente adquirido e transmitido pelo Channel 4 em julho de 2025.

Falando nos bastidores após a vitória no BAFTA, De Pear elogiou os jornalistas de Gaza, Jaber Badwan e Osana Al Ashi, que contribuíram com imagens para o documentário, dizendo que a equipe “acordava todos os dias se perguntando se os dois jornalistas no local ainda estavam vivos”.

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