Negacionismo do governo Trump provoca surto de parasita que causa diarreia aguda

Campanha contra vacinas é obsessão de Kennedy Jr. (Andrew Caballero/AFP)

Os Estados Unidos passam por um surto de diarreia explosiva provocada por parasita que o ‘Centro de Controle e Prevenção de Doenças’ (sigla CDC em inglês), negligenciou em monitorar pelo país todo em julho do ano passado.

O parasita unicelular que provoca uma inflamação no intestino chamada de ciclosporíase já infectou milhares de americanos, no Estado mais atingido, Michigan, o número de infectados ultrapassa 3.700 e 31 Estados americanos já reportaram casos desse tipo de diarreia. A transmissão do parasita acontece pela ingestão de água e vegetais mal lavados, contaminados com fezes humanas.

Sob o comando do Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., o CDC é a principal agencia federal de saúde pública que tem a função proteger a população dos EUA contra a proliferação de doenças e outros riscos à saúde.

No começo do ano passado, assim que Trump assumiu seu segundo mandato, seu governo realizou uma campanha de cortes contra várias agências federais americanas que os negacionistas de seu governo consideraram um “desperdício” de verba pública ou que eles acusaram de serem “fraudulentas”, entre os programas que sofreram cortes, estava o ‘FoodNet’, que tinha a função de rastrear patógenos transmitidos por alimentos, como o parasita que provoca a ciclosporíase.

Kennedy, um negacionista defensor de políticas antivacina e apoiador da chamada “medicina alternativa”, quando assumiu o cargo de Secretário de Saúde americano, começou a aplicar suas ideias anticiência na agência federal americana, tentando normalizar e botar em prática suas teorias movidas por paranoias conspiratórias, como a de que vacinas provocam autismo.

Sob a liderança de RFK Jr., a monitoração de outras doenças também sofreram cortes, como a campilobacteriose, a listeria, shigelose, vibriose e a yersinia e atualmente, o FoodNet só está monitorando duas doenças, a salmonela e o E. coli.

O DESMANTELAMENTO DAS POLÍTICAS DE VACINAÇÃO

As propostas introduzidas por RFK Jr. para políticas de saúde desde que assumiu o cargo de secretário de saúde vão de ceticismo sobre a eficácia das vacinas, a tentar provar a relação de vacinas com autismo e a proposta da eliminação do calendário federal de vacinação infantil nos EUA.

RFK Jr. também já tentou remover vacinas para seis das 17 doenças do calendário de vacinação infantil, mas ele foi barrado por um juiz federal em um processo movido por médicos e pela Academia Americana de Pediatria.

Um plano financiado pelo governo americano tentou fazer testes clínicos com vacinas para hepatite B nos recém-nascidos de Guiné-Bissau e seus efeitos na tentativa de provar a relação das vacinas com autismo, mas depois da reação negativa da comunidade médica internacional foi interrompido pelo governo de Guiné-Bissau.

Sob RFK Jr., bilhões de dólares que eram destinados à pesquisa científica foram cortados, os EUA estão sofrendo uma fuga de cientistas para países da Europa e Austrália. Uma pesquisa da revista Nature, de março de 2025, relatou que cerca de 75% dos pesquisadores já consideraram sair dos EUA.

Kennedy também fez campanha pelo combate do que considera uma epidemia de doenças crônicas, ele está usando de sua posição no governo federal americano contra o consumo de alimentos processados, óleos vegetais, flúor e paracetamol, que ele alega também poder causar autismo.

Medidas que RFK Jr. conseguiu implementar foram cortes no financiamento para o desenvolvimento de vacinas de mRNA, mais cortes para o financiamento para um programa internacional para vacinas e restringiu o acesso a vacinas da COVID-19.

De acordo com um artigo da Reuters que entrevistaram assessores que trabalham no Departamento de Saúde dos EUA e na Casa Branca, depois de muito pressionado por vários assessores do alto escalão da Casa Branca, RFK Jr. concordou em parar de pronunciar publicamente contra vacinas, por temerem ser um desgaste político para o Partido Republicano.

Mas nos bastidores, de acordo com a Reuters, oito funcionários públicos relataram que RFK Jr. continuou na sua cruzada contra as vacinas e sua obsessão em ligar as vacinas com autismo.

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