Preço dos combustíveis cai, mas alimentos pesam no bolso do brasileiro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou ao ficar em 0,58% no mês de maio, abaixo do resultado de abril (0,67%). Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram divulgados nesta sexta-feira (12). No ano, o indicador oficial de inflação acumula alta de 3,20% e, nos últimos 12 meses, 4,72%.
Apesar da alta do IPCA em maio – pressionado por fatores de oferta e pelos preços administrados – a inflação no Brasil segue controlada e em arrefecimento. Esse cenário conta com o auxílio de ações de fiscalização e de medidas de subvenção aos combustíveis adotadas pelo governo Lula, as quais atenuam no mercado interno os impactos da alta nos preços do barril de petróleo no mercado internacional, provocados pela continuidade das agressões dos EUA ao Irã, iniciadas em 28 de fevereiro.
Em maio, o grupo dos Transportes desacelerou, registrando -0,46%, em razão, da queda nos combustíveis (-1,95%), devido às quedas nos preços do etanol, de 0,62% em abril para -6,20% em maio, do óleo diesel de 4,46% para -2,34% e da gasolina de 1,86% para -1,46% – tendo o maior impacto negativo no resultado do mês (-0,08 p.p.). A oscilação nos preços dos combustíveis, além de afetar diretamente a logística de transportes, exerce forte influência sobre os custos dos produtos agrícolas.
Já os bancos e demais instituições financeiras usam os resultados altistas da inflação – bem com o aumento dos investimentos sociais pelo governo para proteger o povo de choques externos e medidas para aliviar o endividamento e a inadimplência de famílias e empresas, por exemplo – para forçar o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) a cessar os cortes da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião, a ser realizada nos dias 17 e 18 de junho, e a retomar um novo ciclo de aumentos dos juros em agosto.
Hoje os juros base estão em 14,5% ao ano. Entre 18 de março e 29 de abril deste ano, os diretores do BC realizaram apenas dois cortes de 0,25 ponto porcentual (p.p.) na Selic, seguindo o receituário neoliberal de que os juros devem ser cortados a conta-gotas – diferente do caso de aumento, que é sempre expressivo.
ALIMENTOS E CONTA DE LUZ EM ALTA
Por questões de oferta, segundo o IBGE, a alimentação no domicílio registrou variação de 1,65% em maio, com influência das altas da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%). Com o resultado, o grupo Alimentação e bebidas apresentou a maior variação (1,33%) e o maior impacto (0,29 p.p.) no mês. No lado das quedas de produtos alimentícios, destacam-se o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).
Outra pressão veio dos preços administrados. Em maio, o grupo Habitação variou em alta de 1,22%, influenciado pelos preços da energia elétrica residencial, com aumento de 3,67% e impacto individual de 0,15 p.p no resultado do mês. Com a incorporação de aumentos nas tarifas: de 5,91% em Aracaju (7,37%), 5,59% em Fortaleza (6,94%) e 4,78% em Salvador (6,73%), os três com vigência desde 22 de abril; 12,36% em Campo Grande (13,56%) a partir de 24 de abril; 3,86% em Recife (8,84%) vigente desde 29 de abril e 5,21% em Belo Horizonte (2,27%), a partir de 28 de maio.
Além do aumento das tarifas, no mês de maio estava em vigor a bandeira tarifária amarela da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que acrescenta na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos.
Já o grupo Saúde registrou aumento de 0,90% no mês, impactado pelos planos de saúde, subiram 0,50% em maio, além das altas dos artigos de higiene pessoal (1,95%), com destaque para perfumes (4,42%).
Os demais grupos apresentaram variações entre o -0,46% observado em Transportes e 0,62% em Vestuário.
IPCA, POR GRUPO:
Alimentação e bebida: 1,33%;
Habitação: 1,22%;
Artigos de residência: 0,08%;
Vestuário: 0,62%;
Transportes: -0,46%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,90%;
Despesas pessoais: 0,41%;
Educação: 0,00%;
Comunicação: 0,23%.











