Trump passou recibo para firmeza de Lula no G7 e resmungou que o brasileiro agora é “volátil”

Discurso de Lula no G7 incomodou Trump Fotos: reprodução PressTV e Ricardo Stuckert)

“Eu vi como ele fez um discurso. Foi muito volátil. O Brasil tem sido um pouco perigoso politicamente”, reclamou Trump

O discurso de Lula na reunião do G7, criticando a arrogância imperial e defendendo a soberania dos povos, incomodou bastante o ditador de plantão nos Estados Unidos. Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (19) ao site Axios que o presidente brasileiro “é muito volátil”.

Ele mostrou seu incômodo sobre Lula quando foi perguntado se era fã do líder brasileiro. “Realmente não penso nele. Não estou nem aí. Mas agora ele é um tipo de pessoa diferente. Ele é muito volátil. Eu vi como ele fez um discurso [no G7]. Foi muito volátil, e tudo bem”, disse o chefe da Casa Branca.

O governante americano também falou da política brasileira. “Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”, afirmou Trump. Na mesma entrevista em que chamou o Brasil de “um país politicamente complicado”, Trump pareceu confundir os filhos de Bolsonaro: Flávio e Eduardo Bolsonaro.

“Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele.”

Momentos depois, foi a vez de Lula responder. O presidente brasileiro disse que o líder norte-americano não sabe nada sobre o Brasil. Ele precisa “aprender com as eleições civilizadas” do Brasil e que não pode se meter no processo eleitoral do país. “Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez [que encontrar Trump], vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, disse Lula.

As afirmações ressentidas de Trump confirmam o incômodo de quem espera sempre ser bajulado por líderes de outros países. Lula não se intimidou ao discursar e criticou a arrogância do governo americano no trato com os demais países do mundo, particularmente com os países da América Latina e cobrou que a Casa Branca não se meta nas eleições brasileiras.

Duas medidas foram tomadas recentemente pelo governo dos EUA contra os interesses do Brasil. A primeira foi a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros e a segunda foi definição unilateral de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais.

Foi neste contexto que o presidente Lula fez as críticas ao governo americano na reunião do G7. Lula exigiu respeito à soberania nacional e rechaçou intromissões nos assuntos internos do país. Ele também criticou o cerco econômico e naval a Cuba e o genocídio de crianças e civis em Gaza.

Especialistas brasileiros afirmam que essas medidas, além de objetivar intervenções indevidas no país, colocar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na órbita da CIA e das forças Armadas americanas, também impede a troca de informações entre as polícias e atrapalha o combate ao crime organizado pela Polícia Federal brasileira.

É uma prática comum de Trump tentar humilhar líderes de outros países para obter vantagens em negociações. Ele fez isso esta semana com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Trump divulgou em suas redes sociais que ele teria implorado para aparecer em uma foto ao seu lado. A política italiana tentou desmentir, mas o estrago já estava feito.

Lula não deu espaço para esse tipo de manobra arrogante do presidente dos EUA. O líder brasileiro manifestou respeito ao povo americano, mas exigiu que o Brasil também seja respeitado pelo governo americano. Deve ser por isso que Trump ficou incomodado e resolveu atacar o presidente brasileiro.

Deve ser também pela bajulação que a família Bolsonaro presta a ele, que o bufão da Casa Branca vem revelando suas preferências eleitorais pelos fascistas no Brasil. Mais do que isso, é claro que ele prefere os serviçais e os entreguistas. E a família Bolsonaro e, principalmente, o candidato deles, o senador Flávio Rachadinha, é um dos maiores entreguistas, a ponto de ir ao Texas e oferecer tudo que o Trump quer do Brasil.

Eles ofereceram recentemente as terras raras do país, prometeram vender a Petrobrás e até acabar com o PIX, meio de pagamento gratuito do Brasil. Sim, porque Trump é contra o PIX porque ele é de graça para os brasileiros e estaria atrapalhando os lucros das empresas americanas Visa e Mastercard, que agem no setor e cobram altas tarifas em suas operações financeiras..

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *