Brasil foi menos atingido pela alta externa do petróleo em relação a outros países, mostra estudo

Atuação da estatal foi fundamental para estabilizar o preço diante das altas internacionais (Foto: Buda Mendes - Getty Images South America - Via AFP)

De acordo com o Ineep, esse cenário foi possível pela ação do governo e da Petrobrás, que protegeu os consumidores brasileiros da escalada dos preços do barril de petróleo no mercado externo

O Brasil foi menos impactado pela alta internacional do petróleo em comparação a outros países, segundo levantamento divulgado na última quinta-feira (18) pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep).

De acordo com o estudo, esse cenário foi possível graças à atuação do governo Lula, que, somada às ações da Petrobrás, protegeu os consumidores brasileiros da escalada dos preços do barril de petróleo no mercado externo – consequência da agressão dos Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e que se estendeu por mais de 100 dias.

O levantamento aponta que os reajustes dos preços dos combustíveis no Brasil, registrados entre 23 de fevereiro e 8 de junho, foram significativamente menores que a média global, limitando-se a 4,9% na gasolina e 13,6% no diesel. Como base de comparação, os mesmos combustíveis avançaram, respectivamente, 36,1% e 36,8% nos Estados Unidos, e 21,1% e 23,7% na Argentina. Em escala global, a média de aumento foi de 17,5% para a gasolina e 23,3% para o diesel.

“As medidas emergenciais adotadas para conter os efeitos do choque do petróleo sobre os preços dos combustíveis foram muito importantes”, diz o Ineep, em sua nova edição do Boletim de Preços dos Combustíveis, que mostra que a política de preços administrada e subsídios ajudaram para frear a disparada dos derivados de petróleo no Brasil.

“No contexto brasileiro, os dados de maio mostram uma redução nos preços praticados pelas refinarias privadas, após os expressivos reajustes realizados no período anterior em linha com a referência do Preço de Paridade de Importação (PPI). Em contraste, a Petrobrás manteve uma trajetória de maior estabilidade, acumulando desde o início do conflito um aumento no diesel, de apenas R$ 0,32, e um na gasolina, na última semana de maio, em R$ 0,04, já considerando o amortecimento do subsídio concedido pelo governo federal, de R$ 0,44”, afirma o Ineep, que é um centro de estudos vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP).

“Os efeitos das políticas de isenção e subsídio fiscal do governo federal, para o caso do diesel, da política de preços da Petrobrás, somados ao leve recuo do preço do barril, já podem ser percebidos nas médias mensais dos preços dos combustíveis em maio. A gasolina e o diesel registraram recuos, e o GLP, estabilidade. O etanol hidratado, por sua vez, apresentou queda expressiva, de 7,3%, refletindo o início da safra 2026/2027 e aumento da oferta, em intensidade ainda maior do que a observada em anos anteriores”.

O instituto também destaca que, “em termos de impactos econômicos generalizados, a alta dos combustíveis desencadeia uma segunda onda de aumento de preços, ao elevar os custos de frete, de transporte de passageiros e de cargas e, por consequência, o custo de vida”.

Nesse sentido, o Ineep ressalta que “esse impacto inflacionário, e seu amortecimento, pode ser identificado, no Brasil, no comportamento do IPCA-15, que registrou alta de 0,44% em março e 0,89% em abril, com uma desaceleração na sequência, marcando 0,62% em maio. Embora ainda seja necessário acompanhar os próximos meses para avaliar a consolidação dessa tendência, os dados sugerem que as medidas adotadas pelo governo Federal para conter os preços dos combustíveis e a atuação da Petrobrás, ampliando sua produção de derivados e mantendo maior estabilidade nos preços contribuíram para limitar as pressões inflacionárias”, avalia o Ineep.

Contudo, o Ineep considera que as medidas do governo “são importantes, mas insuficientes para enfrentar vulnerabilidades estruturais do setor”.

Para o centro de estudos, “a redução da exposição do mercado doméstico à volatilidade internacional depende de uma estratégia de longo prazo baseada no fortalecimento da Petrobrás, na expansão da capacidade de refino e na recomposição de sua presença nos elos estratégicos da cadeia de abastecimento, especialmente na distribuição. Trata-se de um desafio que envolve não apenas preços, mas também segurança e soberania energética”, argumenta.

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