A medida, que gerará 8 mil novos empregos, interrompe as ameaças privatizantes que aconteceram nos governos Temer e Bolsonaro em um setor essencial ao desenvolvimento nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na manhã desta quinta-feira (25), em Três Lagoas (MS), contratos das empresas que ficarão responsáveis pela conclusão das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenadas III (UFN-III) da Petrobrás.
A iniciativa representa, não apenas a retomada do empreendimento, paralisado há 11 anos, depois que esteve ameaçado de ser privatizado nos governos Temer e Bolsonaro. A medida faz parte, também, da estratégia de ampliação da capacidade nacional de produção de fertilizantes e a busca da autonomia do país em um setor considerado vital da economia.
A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, na ocasião, informou que as obras serão retomadas em julho, com investimento superior a R$ 5 bilhões. A expectativa é que a retomada das obras gere cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos e a previsão é que a unidade entre em operação em 2029, ampliando a produção nacional de fertilizantes.
8 MIL POSTOS DE TRABALHO
No decorrer do lançamento da retomada das obras da UNF-III, Chambriard, informou, também, que a Petrobrás aprovou na quarta-feira (24) um projeto para capacitar a população para atuação na fábrica de fertilizantes.
“Estamos garantindo 8 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, num lugar pequeno. Isso significa que temos que treinar pessoas. Aprovamos o projeto Autonomia e Renda Três Lagoas, para que essa qualificação seja feita”, enfatizou a dirigente da estatal.

Segundo ela, serão abertas 1,4 mil vagas para cursos de formação e qualificação profissional voltados, exclusivamente, para atuação na UFN-III. Os cursos serão oferecidos em parcerias com Sesi, Senai e institutos federais.
SOBRE A CAPACIDADE DA UFN-III
O projeto prevê a produção de cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano. A localização da unidade deve facilitar o abastecimento de produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, estados que concentram grande parte da demanda por fertilizantes no país.
A UFN-III é uma fábrica de fertilizantes da Petrobrás voltada à produção de ureia e amônia para o agronegócio. Atualmente, o Brasil depende quase totalmente da importação de ureia, principal fonte de nitrogênio usada na agricultura. O fertilizante é aplicado em culturas como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café, ajudando no crescimento das plantas e na formação de grãos.
AMEAÇAS PRIVATIZANTES
Ainda em 2011, tiveram início as obras da fábrica, mas foram interrompidas em dezembro de 2014. Na época, a Petrobrás encerrou o contrato com o consórcio responsável pela construção por descumprimento contratual.
Já em fevereiro de 2017, no governo Temer, a Petrobras anunciou a privatização da UFN-III e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) como parte da estratégia de desinvestimento e saída do setor de fertilizantes. Em maio de 2018, a estatal informou que iniciaria negociações exclusivas, por 90 dias, com o grupo russo Acron.

No entanto, o processo foi suspenso após decisão liminar do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a venda de empresas estatais sem autorização do Congresso Nacional. Em junho de 2018, o plenário da Corte manteve a restrição para estatais, mas autorizou a venda de subsidiárias.
Com essa decisão, a Petrobrás retomou a venda da UFN-III e da ANSA. Na ocasião, a empresa afirmou que “a operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhoria da alocação do capital da companhia”, uma balela que servia ao intuito de transferir um setor essencial da empresa e ao desenvolvimento nacional para o controle privado externo.
Em 2017, a UFN-III chegou a ser colocada à venda e o grupo russo Acron demonstrou interesse no negócio, mas desistiu da compra devido a dificuldades relacionadas ao fornecimento de gás natural, que viria da Bolívia.











