Lula comemora redução de 61% na evasão escolar: “Fruto do Pé-de-Meia e ensino integral”

"Educação não é gasto. É investimento", celebrou o presidente - Foto: Mauricio Vieira, Arquivo Secom/SC

A taxa de reprovação no ensino médio da rede pública brasileira caiu 62% entre 2022 e 2025, enquanto o abandono escolar recuou 61% no mesmo período, segundo dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025 divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento também aponta redução de 28% na distorção idade-série e aumento de 11% na taxa de aprovação dos estudantes.

Ao comentar os resultados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os indicadores refletem os investimentos feitos pelo governo federal na área da educação. Segundo ele, “Educação não é gasto. É investimento. Os dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, divulgados hoje pelo MEC, mostram avanço expressivo nos índices de alfabetização, redução da evasão escolar e aumento na taxa de aprovação. Resultado do trabalho sério do Governo do Brasil, em parceria com estados e municípios, para retomar e valorizar a educação, desde o ensino básico até o superior.”

Lula afirmou que o governo criou o Pé-de-Meia para reduzir a evasão escolar, fortaleceu a educação em Tempo Integral, aumentou o repasse para a merenda escolar, investiu em programas de alfabetização, melhorou a conectividade nas escolas e ampliou os investimentos no transporte escolar. “Estamos mostrando que investir em educação dá resultado.”

O presidente concluiu reforçando a defesa dos investimentos na área. “Por isso, repito mais uma vez, e quantas vezes forem necessárias: Educação não é gasto. É investimento. O melhor que um governo pode fazer!”, afirmou no X.

Os resultados apresentados pelo Inep mostram uma melhora consistente nos indicadores de permanência e progressão escolar. Além da queda na reprovação e no abandono, o Censo revela que o número de estudantes que deixam de retornar ao ensino médio diminuiu 28% entre 2022 e 2025. Segundo o instituto, caso esse índice tivesse permanecido no patamar de 2022, o Brasil teria cerca de 250 mil alunos a menos matriculados no ensino médio neste ano.

Outro avanço registrado foi o aumento de 46% nas inscrições de concluintes da rede pública no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2022 e 2025.

Na avaliação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, os resultados refletem a combinação de políticas públicas voltadas à permanência dos estudantes e à melhoria das condições de ensino.

“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado”, afirmou.

Segundo ele, o cenário é resultado de “uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, uma melhoria simultânea nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil”.

Entre as iniciativas associadas aos resultados, o Ministério da Educação destaca o programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, voltado à alfabetização de crianças até o fim do 2º ano do ensino fundamental e à recuperação da aprendizagem dos alunos afetados pela pandemia. De acordo com a pasta, o índice de alfabetização das crianças passou de 36% em 2021 para 66% em 2025.

O ministério também atribui parte do avanço à ampliação da educação em tempo integral, à Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e ao fortalecimento do ensino técnico. Pela primeira vez, a educação em tempo integral alcançou a meta prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecia um em cada quatro estudantes matriculados nessa modalidade.

“O próximo grande passo da educação brasileira é ampliar a oferta de educação em tempo integral. Precisamos avançar simultaneamente em equidade e qualidade. Esse é o desafio da próxima década”, afirmou Barchini.

Outro programa apontado como decisivo é o Pé-de-Meia, lançado no início de 2024 para conceder incentivos financeiros a estudantes do ensino médio público de baixa renda. Segundo o governo federal, cerca de 7,2 milhões de alunos já foram beneficiados.

“O Pé-de-Meia é o programa educacional mais importante da última década e um dos mais relevantes das últimas duas décadas por enfrentar a desigualdade de oportunidades. O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes”, afirmou Barchini.

Os dados do Censo também mostram uma redução histórica no abandono escolar no primeiro ano do ensino médio, etapa considerada a mais crítica para a permanência dos jovens. Em 2015, 8,7% dos estudantes deixavam a escola nessa série. Em 2025, esse percentual caiu para 2,2%, o menor índice da série histórica. Apenas entre 2024 e 2025, a taxa recuou de 3,7% para 2,2%.

Especialistas apontam que a queda pode estar relacionada à combinação de programas como o Pé-de-Meia, a reformulação do novo ensino médio, a expansão da educação integral e o crescimento da oferta de cursos técnicos.

Para o diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, “A hipótese de que o Pé-de-Meia contribui para reduzir o abandono é muito plausível, mas não existem estudos ainda dimensionando esse impacto”. Segundo ele, junto com o programa de incentivo financeiro, outros fatores também podem estar contribuindo para a melhora dos indicadores, como a expansão do ensino técnico e da educação em tempo integral.

Corrêa também ressalta que reduzir o abandono escolar é fundamental, mas que a permanência dos estudantes precisa ser acompanhada por melhorias na aprendizagem. “O motivo que mais explica jovens fora da escola é a falta de interesse nos estudos. Então, a prioridade máxima para reduzir abandono e evasão deve estar em tornar a escola melhor, com mais aprendizagens significativas, mais atrativa para as juventudes de hoje”, afirmou.

Os desafios na qualidade do ensino permanecem. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, apenas 7,7% dos concluintes do ensino médio no Brasil atingem níveis adequados de conhecimento simultaneamente em língua portuguesa e matemática.

Na avaliação da superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, “Os dados indicam que o Brasil está conseguindo reduzir barreiras históricas de permanência na escola”. Ela acrescenta que “o próximo ciclo de políticas públicas precisa se concentrar ainda mais em assegurar que os avanços no fluxo escolar sejam acompanhados por qualidade na aprendizagem”.

Também persistem desigualdades regionais. Estados da Região Norte continuam registrando índices de abandono acima da média nacional. O Acre apresentou taxa de 6%, enquanto Amapá e Rondônia superaram os 5%, frente à média brasileira de 2,2%.

Os resultados do Censo Escolar são acompanhados por dados da Pnad Contínua Educação 2025, do IBGE. A pesquisa mostra que a taxa ajustada de frequência escolar líquida entre jovens passou de 76,8% em 2024 para 80,6% em 2025, o maior percentual da série histórica iniciada em 2016. No mesmo intervalo, a proporção de jovens de 15 a 17 anos fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4%, uma redução de 16,3% em apenas um ano.

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