Ministro da Defesa foi ao país após terremotos que devastaram áreas urbanas. Governo brasileiro amplia ajuda humanitária e estuda cooperação de longo prazo para recuperação de moradias, infraestrutura e serviços públicos
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reuniu-se nesta terça-feira (30) com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas, em visita que marca a ampliação da participação brasileira nos esforços de recuperação do país vizinho após os terremotos que atingiram a região de La Guaira e a capital venezuelana na semana passada.
A missão foi enviada pelo presidente Lula (PT) com o objetivo de reforçar tanto a assistência emergencial quanto a cooperação para a reconstrução urbana. Além de Múcio, a delegação brasileira contou com a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, e o secretário nacional de Habitação, Augusto Henrique Alves Rabelo.
Durante encontro com o ministro da Defesa venezuelano, Gustavo González López, Múcio afirmou que o Brasil pretende ampliar a atuação no apoio ao país vizinho.
“Precisamos ver onde podemos ajudar mais. A simpatia que o meu presidente tem pela Venezuela é absoluta”, declarou o ministro brasileiro.
CAIXA PREPARA PLANOS DE RECUPERAÇÃO
O foco da etapa atual da missão brasileira é levantar a extensão dos danos causados pelos terremotos e identificar projetos prioritários de reconstrução.
Técnicos da Caixa Econômica Federal devem atuar no mapeamento de áreas destruídas, avaliação de moradias comprometidas e elaboração de propostas para recuperação de infraestrutura urbana.
A participação da Caixa tem peso simbólico e técnico. O banco acumulou experiência em programas de reconstrução após tragédias climáticas no Brasil, especialmente durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, e já manteve cooperação habitacional com a Venezuela em governos anteriores.
Segundo integrantes da missão, o apoio brasileiro poderá incluir:
• diagnóstico de áreas de risco;
• planejamento de conjuntos habitacionais;
• recuperação de equipamentos públicos;
• apoio à reconstrução de infraestrutura urbana; e
• cooperação técnica entre órgãos de ambos os países.
VOOS HUMANITÁRIOS
Desde o início da operação, o Brasil enviou sucessivos voos de ajuda humanitária à Venezuela.
A ação mobilizou equipes de busca e resgate da Força Aérea Brasileira, bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, cães farejadores, especialistas da Defesa Civil e técnicos da Anatel.
Nesta terça-feira, foi despachado o quinto voo, que partiu da Base Aérea do Galeão com militares e equipamentos destinados à ampliação do hospital de campanha brasileiro instalado em La Guaira. As operações incluem:
• resgate urbano;
• atendimento médico emergencial;
• apoio logístico;
• comunicações de emergência; e
• distribuição de mantimentos.
TRAGÉDIA MOBILIZA COMUNIDADE INTERNACIONAL
O desastre venezuelano desencadeou ampla mobilização internacional. Segundo autoridades locais, 32 países enviaram ajuda, incluindo equipes de resgate, suprimentos e cerca de 400 cães farejadores.
A região de La Guaira concentra parte significativa da destruição. Edifícios residenciais e comerciais sofreram colapsos estruturais, enquanto áreas do Aeroporto Internacional Simón Bolívar ainda operam parcialmente após os danos provocados pelos tremores.
As estimativas divulgadas por autoridades e veículos locais apontam milhares de mortos — 1.450 até o momento — e incontáveis desaparecidos, o que transforma a reconstrução em um dos maiores desafios humanitários recentes da América do Sul.
São também 3.150 feridos registrados em hospitais de La Guaira de 7 estados que sofreram algum dano.
MAIS QUE AJUDA EMERGENCIAL
O governo Lula busca consolidar a agenda de cooperação regional baseada em assistência humanitária e recuperação econômica, num momento em que Caracas tenta reorganizar suas instituições após meses de instabilidade.
A reunião de Múcio com Delcy Rodríguez sinaliza que Brasília pretende ir além do socorro imediato. A estratégia em discussão envolve participação brasileira em projetos de médio e longo prazo orientados à recuperação de cidades, moradias e serviços públicos essenciais.
Na prática, a operação marca mudança de escala na atuação brasileira: do envio de equipes de emergência para a construção de parceria de reconstrução, com participação de órgãos federais, instituições financeiras públicas e especialistas em habitação e infraestrutura.











