Juros-bomba consumiram R$ 1,1 trilhão dos recursos do país em 12 meses

E os bancos acham pouco. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Só em maio foram transferidos dos cofres públicos para bancos e demais rentistas a soma de R$ 107,5 bilhões

O gasto do setor público com juros atingiu a marca de R$ 1,111 trilhão (8,48% do PIB brasileiro) no acumulado de doze meses até maio deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), nesta terça-feira (30). No mesmo período do ano passado, essa despesa havia sido de R$ 946,1 bilhões.

Apenas no mês de maio, o setor público – que engloba União, Estados, municípios e estatais – despendeu a soma de R$ 107,5 bilhões para o sagrado pagamento de juros. Em maio de 2025, foram R$ 92,1 bilhões.

A crescente extração da renda da população brasileira em direção ao setor financeiro por meio do pagamento de juros ocorre devido à manutenção da taxa básica (Selic) em patamares que superam os dois dígitos desde 2021. Essa definição é de responsabilidade restrita de um BC que atua de forma autônoma em relação ao governo, mas não a bancos.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em 16 e 17 de junho, os diretores do BC voltaram a cortar os juros a conta-gotas, em apenas 0,25 ponto percentual, o que reduziu a taxa nominal de 14,50% para os atuais 14,25% ao ano. Com isso, o Brasil retomou a liderança global entre os países com as maiores taxas de juros reais do planeta.

Descontada a inflação projetada para 12 meses, os juros reais chegam a 10% ao ano. Nas últimas semanas, bancos e outros especuladores da dívida pública elevaram o tom de cobrança sobre o BC pelo fim da redução dos juros, com o objetivo de aumentar ainda mais seus ganhos à custa do dinheiro público, dos investimentos produtivos, da geração de empregos e do crescimento econômico do país.

A camada de rentistas no Brasil – alinhada aos interesses de Wall Street, que não produz e apenas suga o trabalho do povo – censura qualquer medida que busque limitar os gastos com juros. Em contrapartida, exige do governo a desvinculação de benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo e o desatrelamento dos gastos com saúde e educação da variação das receitas. Defendem essas e outras medidas de arrocho fiscal sob o argumento de que os gastos sociais são os impulsionadores do aumento da dívida pública, quando, na verdade, os grandes vilões são os juros.

Em seu relatório de Estatísticas Fiscais, o próprio BC afirma que, no ano, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) “cresceu 2,7 p.p. do PIB, refletindo, em especial, os impactos dos juros nominais (3,5 p.p.), do efeito da desvalorização cambial acumulada de 8,1% (0,9 p.p.), do déficit primário acumulado (0,2 p.p.) e do crescimento do PIB nominal (-1,8 p.p.)”.

Cada aumento de 1 ponto na Selic significa um acréscimo de R$ 65 bilhões no gasto anual com os juros da dívida pública, segundo cálculos do BC. A mesma proporção se aplica em cenários de queda da taxa nominal de juros.

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