STF pediu à PGR investigação dos R$ 61 milhões que Vorcaro roubou do país e entregou a Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro ( Foto: Lula Marques - Agência Brasil) e André Mendonça (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

Foram R$ 61 milhões que o banqueiro ladrão tirou de aposentados, servidores e BRB e deu aos bolsonaros. PF suspeita que parte do dinheiro serviu para sustentar trabalho criminoso de Eduardo no EUA

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), demorou mas, finalmente, pediu, no último dia 30, parecer à PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a investigação do financiamento do filme “Dark Horse”. Boa parte do dinheiro para o filme saiu do banqueiro ladrão, Daniel Vorcaro.

Flávio foi flagrado em conversa com o banqueiro pedindo o dinheiro. Ele havia mentido ao país dizendo que não conhecia o banqueiro. A partir daí, ele começou a despencar nas pesquisas. Depois ele mentiu novamente, dizendo que não sabia que o dono do Master era criminoso. Foi desmentido com a informação de que ele esteve com Vorcaro um dia depois do banqueiro ir para prisão domiciliar.

O dinheiro, cerca de R$ 61 milhões, foi mandado para um fundo nos EUA, o Hvengate, administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. O fundo comprou uma mansão no Texas, avaliada em R$ 3,6 milhões, que foi parar em nome de um segurança de Eduardo Bolsonaro. Outra parte do dinheiro apareceu no paraíso fiscal de Delaware. Eduardo não trabalha e perdeu o salário da Câmara por abandono de emprego, mas mora numa mansão no Texas avaliada em R$ 6 milhões, com aluguel de R$ 30 mil mensais.

A Polícia Federal, que investiga Eduardo pelos crimes de obstrução de Justiça, suspeita que parte do dinheiro transferido pelo banqueiro preso para os EUA serviu para bancar a conspiração de Eduardo Bolsonaro feita dos EUA contra o Brasil.

O senador candidato tentou se esquivar alegando que o dinheiro de Daniel Vorcaro não era dinheiro público. Mais uma vez foi desmentido. O banqueiro está preso exatamente porque deu um golpe de R$ 51 bilhões em aposentados, servidores, no BRB e outros órgãos. Ou seja, no público em geral. Foi dinheiro público que foi roubado pelo dono do Banco Master e transferido para a família Bolsonaro. É isso o que o STF está pedindo à PGR para investigar.

Há além do Banco Master, outras falcatruas ligadas ao filme de Bolsonaro que sendo investigadas. A produtora do filme de Bolsonaro, a Go Up Entertainment, que funcionava na mesma sede de uma ONG chamada ICB, em São Paulo, recebeu emendas parlamentares articuladas pelo deputado Mario Frias (PL-SP). Ele enviou R$ 2 milhões ao ICB. Mas, além disso, o mesmo ICB também assinou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.

Em suma, há muito o que se investigar na rota do dinheiro que foi injetado na família Bolsonaro. A manifestação da PGR é um passo previsto no regimento interno da Corte. Segundo as regras do Tribunal, o STF não pode abrir, sozinho, uma apuração a partir de uma notícia-crime recebida. Por isso, cabe à Procuradoria analisar se há elementos suficientes para pedir a instauração de um inquérito.

O processo está sob sigilo e chegou às mãos de Mendonça após decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que determinou a redistribuição do caso na semana passada. A mudança foi sugerida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, processo no qual havia sido incluído o pedido original sobre o longa-metragem.

A redistribuição ocorreu depois que a própria Secretaria Judiciária identificou uma possível conexão entre o financiamento do filme e as apurações já em andamento sobre o Banco Master, motivo pelo qual Fachin determinou o envio do caso a Mendonça, que já é relator de outros processos envolvendo o banco.

A notícia-crime que deu origem à investigação foi apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), depois da divulgação de áudios que ligavam Flávio Bolsonaro e o ex-dono do Banco Master, ao financiamento da produção. Em maio, o jornal The Intercept Brasil revelou gravações em que Flávio pede recursos a Vorcaro para custear o filme. Outra reportagem do mesmo veículo apontou que Eduardo Bolsonaro teria ficado responsável por administrar os valores doados pelo banqueiro, após assumir a função de produtor executivo da obra.

No pedido enviado ao STF, Lindbergh solicitou a apuração de possíveis irregularidades no financiamento do filme, levantando a suspeita de que recursos do Master destinados à produção possam ter sido desviados em benefício da família Bolsonaro, em conexão com a atuação de Eduardo contra instituições brasileiras no exterior.

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