O Hospital Shahid Baqai, especializado no tratamento de câncer infantil e que fica na cidade de Ahvaz, província de Khuzistão, no sudoeste do Irã, teve que ser evacuado em caráter de emergência após um ataque dos EUA na noite de quarta-feira atingir uma área próxima ao complexo médico.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, classificou nesta quinta-feira (16) o ataque como “bárbaro” e o comparou aos ataques do regime israelense contra instalações de saúde.
“Este ataque bárbaro, que lembra as atrocidades de Israel contra instalações de saúde, causou profundo sofrimento e ansiedade entre as crianças hospitalizadas e forçou a evacuação de emergência de 211 pacientes submetidos a quimioterapia”, disse Baqai em uma mensagem publicada no X.
Trata-se de “um crime de guerra covarde contra os seres humanos mais inocentes, crianças que lutam bravamente por suas vidas”, denunciou o porta-voz.
Baqai também criticou aqueles que condenam seletivamente as violações do direito internacional. “Aqueles que pregam incessantemente sobre direitos humanos, mas deliberadamente fecham os olhos aos ataques contra hospitais e centros de saúde, perderam todo o vestígio de credibilidade moral”, ele enfatizou.
A Universidade de Ciências Médicas de Ahvaz informou que, após ataques americanos à cidade e explosões em áreas adjacentes ao hospital, este centro especializado foi temporariamente desativado para garantir a segurança de pacientes e funcionários, que foram transferidos para outros hospitais da cidade,seguindo rigorosamente os protocolos de segurança, acrescentou ele.
Os Estados Unidos perpetraram inúmeras agressões contra o território iraniano desde 7 de abril, quando o presidente americano Donald Trump anunciou um cessar-fogo unilateral na guerra de agressão de 40 dias desencadeada por EUA e Israel contra a República Islâmica.
As violações continuaram mesmo depois de Washington e Teerã terem assinado em junho um memorando de entendimento mediado pelo Paquistão, cuja primeira cláusula exige claramente a cessação da agressão em todas as frentes.
Em resposta às violações, por parte dos EUA, do memorando de entendimento assinado em 18 de junho para pôr fim à guerra, o Irã fechou o Estreito de Ormuz esta semana até que a interferência dos EUA cesse e advertiu Washington de que novos ataques serão respondidos à altura. As Forças Armadas iranianas alertaram que continuarão atacando posições americanas na região enquanto Washington persistir em sua campanha de bombardeios.
ATAQUES CONTRA INFRAESTRUTURA CIVIL
Em carta ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o embaixador e representante permanente do Irã junto ao Escritório da ONU em Genebra, Ali Bahraini, afirmou que os ataques ilegais dos EUA contra o Irã violam os princípios e normas do direito internacional, causando o martírio de inúmeros civis e resultando em sérios danos à infraestrutura civil e a instalações essenciais.
A carta listava algumas dessas ofensivas, incluindo ataques dos EUA a vários trechos da linha ferroviária Teerã-Mashhad, bem como a uma estação de tratamento de água potável no condado de Dehloran (Ilam), silos de armazenamento de trigo nos condados de Hoveyzeh e Dasht-e Azadegan (na província de Khuzistão, no sul do país), barcos de pesca pertencentes a pescadores no sul do país, ataques com mísseis perto do Hospital Baqai em Ahvaz e o ataque ao Aeroporto de Semnan.
PENTÁGONO BLOQUEIA INVESTIGAÇÃO SOBRE CHACINA DE MINAB, DIZ CNN
A CNN afirmou que o Pentágono vem se recusando a conduzir uma a etapa padrão e fundamental da investigação sobre o ataque das forças americanas a uma escola primária no sul do Irã.
A investigação sobre o ataque dos EUA que atingiu a Escola Primária Shayare Tayebe em Minab, no dia 28 de fevereiro, e deixou 168 mortos, a maioria crianças entre 7 e 12 anos, está paralisada há meses nas mãos de um comandante militar, segundo revelaram à CNN três fontes familiarizadas com o assunto.
Segundo as fontes, uma semana após o ataque, as duas primeiras fases de uma “avaliação de danos de batalha” concentraram-se em responder a perguntas básicas sobre o motivo pelo qual os EUA atacaram a escola em Minab, na província de Hormozgan.
No entanto, segundo fontes, não foi ordenada uma terceira etapa de revisão padrão, na qual analistas — geralmente da Agência de Inteligência de Defesa — revisam todo o conjunto relevante de imagens de satélite e outras fontes de inteligência para determinar de forma mais abrangente o que aconteceu e como o ataque afetou a missão como um todo.
Fontes afirmaram que essa revisão quase sempre é realizada imediatamente após um ataque significativo, mas, no início de julho, a referida revisão ainda não havia começado.
O relatório revelou que uma investigação independente foi iniciada em março, incluindo entrevistas com militares envolvidos no ataque, e continha materiais que poderiam ser úteis para comandantes que ainda realizam ataques contra o Irã, a fim de evitar erros.
Embora a investigação tenha sido concluída, o Comando Central dos EUA restringiu a divulgação deste relatório, e apenas um pequeno grupo de oficiais tem acesso aos detalhes. “Nenhuma análise detalhada foi realizada e o Centcom interrompeu a investigação e impediu que qualquer pessoa a investigasse”, admitiu uma das fontes.










