Acordo de emissão de “panda bonds” amplia opções financeiras do Brasil

Ministério da Fazenda em Brasília. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Brasil e China firmam acordo para emissão de títulos soberanos em yuan

O Brasil e a China celebraram em Pequim o acordo para emissão dos chamados Panda Bonds, títulos soberanos em moeda chinesa. A iniciativa, além de fortalecer as relações econômicas bilaterais e incentivar a adoção de contas em yuan, abre caminho para que o Brasil reduza sua dependência do dólar.

No final junho, em visita oficial ao gigante asiático, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou a carta de intenções brasileira para a emissão dos papéis à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro (NAFMI). A cerimônia contou com a participação do presidente do Banco Popular da China (PBC), Pan Gongsheng. O documento é o primeiro passo para a operação.

O Brasil planeja arrecadar até 5 bilhões de yuans (US$ 735 milhões) com sua emissão inaugural de títulos panda.

“Nós temos uma estratégia nacional e essa estratégia vai ser executada independentemente de forças estrangeiras, diferentemente do que alguns querem no Brasil”, afirmou Durigan, na época, ao ser questionado se a iniciativa tinha relação com as pressões do governo dos Estados Unidos contra a economia e a soberania brasileira.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em maio de 2025, os bancos centrais dos dois países assinaram um acordo de swap (troca) de moedas, com limite de até R$ 157 bilhões e validade de cinco anos, sinalizando o avanço da cooperação financeira.

“Estamos prontos para facilitar a emissão de títulos panda pelo Ministério da Fazenda do Brasil na China”, disse Pan Gongsheng, ao destacar que a emissão dos títulos criaria mais oportunidades para potencializar a cooperação financeira entre os dois países.

Os Panda Bonds são títulos de dívida em renminbi (nome oficial da moeda da China) emitidos pelo mercado chinês por governos ou empresas estrangeiras. O instrumento permite que os emissores internacionais captem recursos diretamente com investidores locais mediante o pagamento de juros – que frequentemente são menores quando comparados aos de mercados de títulos atrelados ao dólar estadunidense.

Devido ao avanço do interesse estrangeiro, as emissões de títulos Panda atingiram 36,5 bilhões de yuans nos primeiros cinco meses deste ano, representando 74% do total do ano passado, segundo o PBC.

A emissão inaugural de Panda Bonds pelo governo serve de incentivo para que empresas brasileiras, como a Embraer e a WEG, acessem uma nova fonte de financiamento externas. No Brasil, a primeira empresa a encaminhar esse tipo de operação foi a Suzano, em 2024. Na época, a empresa captou 1,2 bilhão de yuans (cerca de US$ 168 milhões) com vencimento em três anos e uma taxa anual de 2,80%.

Nesta mesma estratégia, de reduzir a dependência do dólar, o Brasil já emitiu 5 bilhões de euros em títulos em abril deste ano, a maior operação da história do país nos mercados internacionais.

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