Setor produtivo apoia negociações do governo brasileiro e defende ampliação da política industrial
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirma que a indústria continuará apoiando as negociações do governo brasileiro com os Estados Unidos e defende a ampliação da política industrial NIB (Nova Indústria Brasil) para auxiliar os setores prejudicados pelo novo tarifaço contra os produtos brasileiros.
“Começamos uma discussão que dentro da NIB possa constituir uma sétima missão que vai ser voltada para as cadeias produtivas internacionais, de forma que a gente possa ter um projeto contínuo e sempre atualizado de apoio à internacionalização das nossas indústrias no Brasil”, declarou Alban, após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na quinta-feira (23).
Alban também afirmou que os representantes da indústria saíram da reunião “satisfeitos com a afirmação categórica do ministro de que o Brasil vai continuar negociando. Essa é a opção número um que existe neste momento, continuar negociando”.
Nesta quinta-feira (23), os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma nova tarifa de 12,5%, acusando o Brasil de “trabalho forçado”, elevando o tarifaço de 25% imposto no dia anterior.
“Uma tarifa de 37,5% cria uma falta de competitividade total. E isso se torna mais crítico principalmente para o produto manufaturado”, criticou Ricardo Alban.
FIEMG
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou apoio na intensificação das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
“O Brasil precisa agir com firmeza, rapidez e capacidade técnica para evitar que essa nova tarifa comprometa ainda mais a competitividade da indústria nacional. A prioridade deve ser ampliar as exceções, garantir previsibilidade às empresas e construir uma solução negociada que preserve contratos, investimentos e empregos”, disse a coordenadora de Negócios Internacionais da FIEMG, Verônica Winter.
“Somada à tarifa adicional de 25% já em vigor, a nova cobrança pode elevar a sobretaxa a 37,5% para os produtos alcançados pelas duas medidas. Esse cenário aumenta o custo de acesso ao mercado norte-americano e coloca os exportadores brasileiros em desvantagem diante de concorrentes de países submetidos a alíquotas menores”, diz nota da entidade da indústria mineira.
ABIT
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) manifesta, em nota, “sua profunda preocupação com a decisão do Governo dos Estados Unidos de impor uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, no âmbito de medidas relacionadas ao combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado”.
“No caso do Brasil, essa nova sobretaxa soma-se à tarifa adicional de 25% já anunciada anteriormente, elevando para 37,5% a carga adicional incidente sobre grande parte das exportações nacionais, além dos impostos de importação normalmente aplicáveis. O impacto sobre a competitividade da indústria é extremamente significativo e compromete os esforços de integração comercial entre dois países que historicamente mantêm relações econômicas relevantes”.
“A justificativa apresentada para essa medida não reflete a realidade brasileira. O Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no combate ao trabalho escravo contemporâneo, além de estruturas permanentes de fiscalização, investigação e responsabilização. O enfrentamento dessa prática constitui um compromisso do Estado brasileiro e também das empresas que atuam formalmente no País”.










