A “missão” norte-americana contra a eleição brasileira previa a vinda de Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do Departamento de Estado americano
O governo brasileiro negou o pedido de visto oficial apresentado por dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que pretendiam viajar ao Brasil para desacreditar o sistema eleitoral do país. A viagem dos agentes de Trump fazia parte do conluio com os bolsonaristas que já se assanhavam contra as urnas de outubro.
A viagem dos agentes americanos, montada pela Casa Branca, foi relatada em reportagem desta sexta-feira (24) do jornal Washington Post (veja aqui). A “missão” norte-americana previa a visita de Riley M. Barnes, secretário-adjunto, e Samuel Samson, subsecretário-adjunto do Departamento de Estado americano. Este último conhecido conspirador contra a democracia no continente.
A solicitação dos vistos deu entrada formalmente no governo brasileiro no dia 20 de julho. No final desta mesma semana, a diplomacia brasileira comunicou ao governo dos Estados Unidos a decisão de indeferir ambos os pedidos. Segundo fontes da diplomacia, o Brasil tem tradição de receber observadores internacionais nas eleições, mas a avaliação é que os norte-americanos não são observadores, na verdade tinham “outro papel”.
Autoridades diplomáticas constataram que existia uma conexão direta e clara entre a viagem planejada pelos enviados do Departamento de Estado dos EUA e as recentes declarações do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) contra as urnas eletrônicas. O candidato fascista buscou desacreditar, com base em informações falsas, a lisura do processo eleitoral no país. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA, participou de uma live pedindo para Trump criticar as urnas brasileiras.
Flávio Bolsonaro participou de uma reunião com embaixadores em Brasília, ocasião na qual foram articuladas críticas diretas ao sistema eleitoral brasileiro. O senador inventou que as urnas brasileiras eram de fabricção de uma empresa venezuelana. Ele foi prontamente desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, em seguida, vem o pedido de entrada dos funcionários do governo Trump para também desacreditar as urnas. Um claro conluio entre os bolsonaros e os planos intervencionistas de Trump no Brasil.
O governo e as autoridades eleitorais brasileiras consideraram o episódio grave, apontando que a intenção de um governo estrangeiro em tomar parte na trama bolsonarista contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representa uma tentativa inaceitável de ingerência no processo político do país.
O governo brasileiro identificou nesse conjunto de fatos uma operação estruturada para atacar o sistema eleitoral e as instituições do país, replicando métodos adotados por Jair Bolsonaro (PL) em 2022, mas contando agora com o respaldo direto da ditadura Trump.
Diante do quadro apresentado e do risco de instrumentalização da presença estrangeira no debate político nacional, o governo brasileiro agiu rapidamente para indeferir a entrada dos diplomatas. Ficou estabelecido no diagnóstico oficial que a missão norte-americana tinha como finalidade central dar respaldo e reforçar a campanha de questionamento público sobre o processo eleitoral do Brasil.










