Protestos na Índia derrubam ministro da Educação e garantem diálogo com o governo

"Isso é democracia. Ele renunciou. Temos mais duas exigências. Não vamos parar por aqui", comemoraram os jovens (AFP)

Após mais de um mês, manisfestações comandadas pelo Partido Popular das “Baratas” conseguiram neste sábado a renúncia de Dharmendra Pradhan e a abertura de negociações com o primeiro-ministro Narendra Modi

O governo indiano e dirigentes do irônico Partido Popular das “Baratas” (Cockroach Janta Party – CJP) chegaram a um acordo neste sábado (25) para pôr fim aos protestos que mobilizam o país, após a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.

Conforme os líderes do CJP, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi acatou suas principais reivindicações após mais de um mês de manifestações causadas pelo vazamento das provas de admissão para faculdades de medicina e cargos públicos – os mais concorridos do país.

O porta-voz nacional do CJP, Ashutosh Ranka, afirmou que o governo aceitou a renúncia de Pradhan e concordou em retirar todas as queixas policiais e processos judiciais contra manifestantes e organizadores. Além disso, se comprometeu a indenizar com 10 milhões de rúpias (mais de 103 mil dólares) às famílias daqueles que perderam a vida em meio aos tumultos acarretados pelos vazamentos dos exames.

Abhijeet Dipke, fundador do CJP, comemorou a retirada do ministro, mas lembrou que ainda há muito a ser feito. “Isso é democracia. Ele renunciou. Temos mais duas exigências. Não vamos parar por aqui”, frisou.

Ao longo dos protestos o governo chegou a restringir o comércio central, suspender a internet móvel e abusar da força policial, com cassetetes e spray de pimenta, mas os jovens mantiveram as convocações nacionais e ampliaram apoios junto à comunidade, que se solidarizou com suas bandeiras.

REFORMAS MAIS AMPLAS NOS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO E ADMISSÃO

Nas três rodadas de negociações com a delegação do governo, os jovens apresentaram um documento com cinco pontos exigindo reformas mais amplas nos sistemas de educação e de testes de ingresso.

Em relação a estes pontos, o presidente do Partido do Povo Indiano, J.P. Nadda, assinalou que o governo analisaria as propostas do CJP sobre a reforma educacional e continuaria o diálogo com o movimento.

O ministro da Educação anunciou sua renúncia em uma publicação na rede social X, marcando uma vitória expressiva das “Baratas”, que haviam uma série de manifestações, ocupações e greves de fome em todo o país.

“Diante disso, o CJP anunciou que estamos encerrando as ações de protesto de boa-fé e com o entendimento de que os termos acordados serão cumpridos dentro do prazo estabelecido”, afirmaram os dirigentes juvenis.

A crise iniciou em maio, quando questões do exame nacional de admissão universitária – incluindo o para cursos de medicina, realizado por mais de dois milhões de candidatos – foram vazadas. O exame foi anulado e reaplicado em junho, desencadeando protestos em massa e denúncias de corrupção no sistema educacional.

Colocando mais lenha na fogueira, o presidente do Supremo Tribunal da Índia, Surya Kant, comparou os jovens desempregados a “baratas e parasitas”. A provocação fez com que o movimento ganhasse um nome e expandisse sua força.

A semana encerrou com uma série de confrontações, com muitos jovens lesionados e mutilados na capital, Nova Deli, e em inúmeras regiões do país, deixando também policiais feridos, forçando o governo a retroceder.

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