Foram R$ 61 milhões que o dono do Banco Master usou para regar o esquema político bolsonarista. Até hoje Flávio não explicou onde foi parar essa montanha de dinheiro desviada
A Polícia Federal terá acesso, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a informações de ONG ligada à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro que teria sido por onde passaram parte dos R$ 61 milhões que o dono do Banco Master roubou e repassou a Flávio Bolsonaro.
O candidato fascista vem escondendo a sete chaves o destino dado aos R$ 61 milhões que o banqueiro ladrão Daniel Vorcaro repassou a ele depois de dar um golpe de R$ 51 bilhões em servidores, aposentados, investidores e no Banco Regional de Brasília (BRB). O político foi flagrado num áudio obtido pela PF onde ele pede o dinheiro ao banqueiro e diz que está com ele em tudo. Vorcaro está preso pelo golpe bilionário.
A Polícia Federal (PF) vai ter acesso a elementos reunidos pela Polícia Civil de São Paulo durante busca e apreensão no Instituto Conhecer Brasil (ICB), que é ligado à produtora do filme sobre a trajetória do golpista preso. Os dados encontrados pela Polícia Civil de São Paulo vão ser analisados no inquérito aberto pelo STF para apurar a suspeita de que emendas parlamentares podem ter abastecido a produção “Dark Horse”.
O compartilhamento do material foi autorizado pelo ministro Flávio Dino no dia 21 de agosto. Em junho, a ONG foi alvo da Operação Wi-Fi que apura a suspeita de fraude em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano. A Polícia Civil de São Paulo investiga se parte dos recursos foi desviada para financiar o filme “Dark Horse”.
Ao STF, a Polícia Federal argumentou que o Instituto está no centro da apuração sobre emendas e que os elementos recolhidos pela Polícia Civil em endereços da ONG, da empresária Karina Ferreira da Gama – dona do instituto e sócia da produtora Go UP -, e de outras empresas, podem ajudar a aprofundar e até acelerar a investigação.
A ideia é que os investigadores possam analisar dados de computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros, que seriam relevantes para o inquérito. Foram liberados dados brutos e também relatórios já produzidos sobre as mídias apreendidas. O ministro Flávio Dino considerou que o pedido e a justificativa da PF eram pertinentes e estavam de acordo com o entendimento do STF para esse tipo de compartilhamento.
Vorcaro bancou mais de 90% do orçamento doe filme sobre Jair Bolsonaro, diz a dona da produtora. O MP investiga também o contrato de R$ 108 milhões de wi-fi público da Prefeitura de SP com a ONG de produtora do filme sobre Bolsonaro.
O inquérito foi aberto depois que Dino pediu uma apuração da Controladoria-Geral da União sobre emendas dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon, Bia Kicis destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades alegadamente vinculadas a um mesmo núcleo de gestão coordenado por Karina Ferreira da Gama.
As duas investigações se cruzam porque envolvem emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas ao filme. Cinco parlamentares aparecem no contexto da apuração, entre eles o deputado federal Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, à ONG de Karina.
Esta decisão de Flávio Dino foi a forma encontrada para investigar o dinheiro para Dark Horse. Ela está parada nas mãos do ministro André Mendonça, depois que Dias Toffoli deixou a relatoria. A apuração foi aberta após a revelação de que Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro o repasse de US$ 24 milhões para financiar o filme e que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram transferidos.
A cobrança da PF ocorre depois de a própria Ancine identificar uma irregularidade na produção. Em 28 de julho, a agência autuou a Go Up Entertainment por realizar filmagens de Dark Horse no Brasil sem fazer a comunicação prévia obrigatória para produções estrangeiras. O auto de infração, emitido pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria, registra a irregularidade como “produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira DARK HORSE sem comunicar o fato à ANCINE”.











