Flávio mente na TV que é contra o crime mas na real ele protege facções e milícias

Rodrigo Bacealr e TH Joias, ambos do Comando Vermelho, e Flávio Bolsonaro (Foto: divulgação)

A candidatura de Flávio expressa a tentativa de milícias e facções do Rio e SP de chegarem ao centro do poder político do país. Ele finge que combate o crime mas é um defensor da bandidagem

Quem vê o Flávio falando de segurança na TV compara o que ele diz em sua propaganda com o que ele faz na vida real. Diz que vai combater o crime. Critica Lula e fala que vai defender as mulheres.

ADRIANO DA NÓBREGA

Mas a verdade é outra. Ele tem ligações históricas com o crime no Rio de Janeiro. Sempre foi apoiador de milícias e grupos de extermínio. Era amigo íntimo de Adriano da Nóbrega, chefe de uma das milícias mais perigosas do Rio de Janeiro, a milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Adriano não era só chefe de milícia, ele era assassino profissional, chefiava o “Escritório do Crime”, uma espécie de central de assassinatos por encomenda das milícias. Este “Escritório” foi responsável, por exemplo, pela morte da vereadora Marielle Franco.

Flávio não era só amigo do assassino. Ele homenageou Adriano e entregou a ele a medalha Tiradentes, a maior honraria do Rio de Janeiro. Na época, ele disse que o criminoso era um injustiçado. O então deputado foi entregar a medalha dentro da cadeia, quando Adriano já estava preso pelo assassinato de um “flanelinha” que denunciou e extorsão da milícia. Pior ainda, Flávio empregou a mãe e a mulher de Adriano como funcionárias fantasmas no esquema de rachadinha de seu gabinete quando era deputado estadual.

A polícia do Rio suspeitava que o emprego fantasma da mulher e da mãe de Adriano no esquema de rachadinha de Flávio servia mesmo para Adriano lavar o dinheiro do tráfico e outros crimes da milícia. O próprio Flávio foi acusado de lavar o dinheiro desviado do gabinete em sua loja de chocolate da Barra da Tijuca. Ele só não foi preso na época porque seu pai atuou para impedir as investigações sobre Flávio.

DANIEL VORCARO

Depois, ele se envolveu com outro criminoso, o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio foi pego em flagrante num áudio, obtido pela Polícia Federal, onde ele aparece pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro ladrão que foi preso por dar o maior gole financeiro da história do Brasil. No áudio, Flávio chamou Vorcaro de meu amigão e meu “irmão” e disse que estava com ele “em qualquer situação”.

E o pior é que Flávio tinha jurado de pés juntos que nunca tinha falado com o banqueiro. Neste época ele tentava jogar o escândalo do Master para o colo do Lula. Flávio tentou negar que a voz fosse dele, mas depois teve que admitir. O áudio o desmoralizou. Ele então inventou que não sabia que o banqueiro era criminoso. Outra mentira, porque logo em seguida se descobriu que ele esteve na casa do banqueiro em São Paulo para buscar mais dinheiro quando este já usava tornozeleira eletrônica.

Cobrado a se explicar ele ficou repetindo que não havia dinheiro público envolvido em suas negociatas com Daniel Vorcaro. Mais uma mentira. O dono do Master roubou bilhões de dinheiro público, de servidores, de aposentados e do BRB, o banco público de Brasília. Seu golpe deu um rombo no país de R$ 50 bilhões. Os R$ 65 milhões que ele repassou a Flávio era dinheiro público. Agora recentemente se descobriu que Vorcaro passou mais R$ 8,5 milhões a Flávio.

FACÇÕES CRIMINOSAS

Ele fala que vai classificar as facções como organizações terroristas internacionais. Isso é pura bajulação a Trump que já fez isso. Fez isso só para justificar invasões a países da América Latina para roubar suas riquezas, como fez na Venezuela. Segundo Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, essa classificação atrapalha mais do que ajuda o combate ao crime organizado. Segundo ele, os EUA, ao fazerem isso, passam o assunto para a esfera da CIA e tudo fica secreto. Impede a colaboração entre as polícias. Não ajuda nada no combate ao crime. Não passa, portanto de demagogia de Flávio, além da bajulação a Trump.

Mas o mais grave mesmo são as ligações de Flávio com o Comando Vermelho, a principal facção do Rio de Janeiro. O senador indicou para o cargo de Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, um indivíduo chamado Alessandro Pitombeira Carracena. O secretário, que era árbitro de futebol, era visto como representante informal da família Bolsonaro o governo. Fontes do PL e do Executivo afirmavam que ele se apresentava como “porta-voz” de Flávio.

Pois bem, este “cidadão” foi preso durante a Operação Anomalia, da Polícia Federal, que investigava um núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e na venda de influência para favorecer os interesses da facção criminosa Comando Vermelho. Ou seja, um indicado de Flávio foi preso por ajudar o Comando Vermelho.

COMANDO VERMELHO

Mas, não ficou só nisso. Outra figura, desta vez o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, outro indicado de Flávio Bolsonaro para o governo de Cláudio Castro, também foi preso por suas ligações com o Comando Vermelho.

Flávio tinha ligações íntimas também com o ex-deputado TH Joias. O ex-deputado e designer de joias Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, também foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Zargun, A acusação do TH Joias era de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. Foi cassado e preso.

Por fim a ligação mais estreita de Flávio Bolsonaro é com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Bacellar era o candidato apoiado por Flávio para o governo do estado. Ele está preso em uma unidade federal por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi alvo da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que apura vazamentos de informações de operações policiais para o Comando Vermelho. Teve o mandato cassado pelo TSE em março de 2026 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Esses são os aliados de Flávio no Rio.

SÉRGIO CRUZ

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