Com juros abusivos, Itaú bate mais um recorde: R$ 12,6 bi de lucro líquido no 3º trimestre

Itaú Unibanco, Agência no Cambuci/SP. (Foto: HP)

Nos nove primeiros meses de 2026, lucro atingiu R$ 36,5 bilhões

Batendo recordes atrás de recordes históricos de lucros, o banco Itaú, no terceiro trimestre deste ano, atingiu sua maior marca em R$ 12,6 bilhões, uma alta de 1,7% sobre o trimestre anterior, também recorde, assim como o primeiro trimestre, e 6,2% considerando os últimos 12 meses.

O lucro nos nove primeiros meses de 2026 foi de R$ 36,5 bilhões, alta de 10,2% sobre o mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) foi de 22,6%, 1,5 ponto percentual a mais que nos nove meses de 2025.

É uma notícia boa apenas para os seus acionistas, porque para o conjunto da sociedade é mais um indicador da brutal transferência de recursos dos trabalhadores e dos setores dos empresários comprometidos com a produção e circulação de bens e mercadorias.

Essa transferência acontece através das taxas de juros escorchantes praticados sobre os empréstimos feitos pelos bancos. Primeiro na rolagem da dívida do governo, cuja taxa Selic, taxa de juros básica da economia, hoje em 13,75%, se conforma como a maior taxa de juros reais entre todas economias do mundo, provocando uma dívida em bola de neve insustentável. Efeito cartão de crédito.

E, segundo, pelas taxas absurdas cobradas das empresas, por exemplo, no desconto de recebíveis do cartão de crédito, e dos cidadãos, cujo exemplo mais dramático, são os juros de mais de 400% no cartão de crédito.

Estão presentes no endividamento das famílias, em muitos casos, sufocando até 40% do orçamento familiar e na inadimplência que explode para milhões de consumidores. O número de pessoas inadimplentes subiu no país entre agosto e setembro, chegando a 84,2 milhões de brasileiros, segundo pesquisa da Serasa, publicada nesta segunda-feira (2).

Como consequência inevitável, traz o contraste com os a maioria dos negócios da economia, que passam por queda de atividades, de receitas, de lucros, não incomum da realização de prejuízos. Um exemplo dos mais críticos é a do setor de máquinas e equipamentos.

As receitas totais do setor, acumuladas até setembro, sofrem queda de 13,4% em relação ao ano passado, que já foi fraco. O setor não tem previsão de recuperação e pode mesmo acentuar a queda até o final do ano.

Quando máquinas e equipamentos não estão sendo comprados significa, em geral, que as outras indústrias, e mesmo os outros setores, não estão investindo ou nem repondo seus ativos. A falta desses investimentos hoje é a falta de crescimento amanhã.

Com um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) constante de 22,6% ao ano, nos anos seguintes, os acionistas gerariam recursos equivalentes (ou até superiores) a “um novo banco” — tomando como referência o valor do Patrimônio Líquido (PL) inicial da instituição.

Nada mal, um novo Itaú, que é gigante, no horizonte de cinco anos.

Se o banco, por hipótese, reinvestisse todo o lucro gerado na própria operação, o patrimônio crescerá ano a ano, gerando um efeito de juros compostos sobre a rentabilidade. O resultado, nesse caso, o valor gerado em lucros acumulados seria equivalente a 1,77 “novos bancos” ao final do período.

Na prática, em todos os exercícios há distribuição de lucros, o caso hipotético não seria o caso. Mas, apenas não distribuindo todo o lucro em dividendos, no caso exposto, em cinco anos de ROE no patamar de 22%, o Itaú teve ROE acima de 20%, em 2024, em 2025 e provavelmente em 2026, o banco dobraria de tamanho em cinco anos.

J.AMARO

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