“95% por cento dos trabalhadores estão ganhando R$ 3.500, e R$ 3.500 não resolve o problema de ninguém”
A Marcha das Centrais Sindicais e a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora levou milhares de trabalhadores a Brasília, neste dia 15 de abril. Convocad”a de forma unitária pelas centrais, a mobilização apresentou uma pauta comum ao governo federal, defendendo o fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial, redução dos juros e geração de empregos decentes, com desenvolvimento produtivo e valorização do salário.
Publicamos, a seguir, a intervenção de Adilson Araújo, presidente da CTB, durante o ato, manifestando a importância da unidade das centrais para as conquistas dos trabalhadores e para o avanço de mais direitos, solidariedade internacional às vítimas das barbáries de Trump, e ressaltando o enfrentamento à política de ajuste fiscal como medida essencial para a valorização do trabalho, dos salários e o aumento do consumo das famílias. Veja na íntegra:
Eu quero saudar, em especial, a unidade das centrais sindicais. Vocês trabalhadores, vocês trabalhadoras, sabem que, no curso das contrarreformas, sobretudo com a aprovação da Lei nº 13.467, de 2017, o movimento sindical foi quase ferido de morte. Nós perdemos a nossa principal fonte de receita, a contribuição sindical. E, ainda sem patrocínio e sem apoio nenhum, nós conseguimos essa grandeza. Portanto, uma salva de palmas para as centrais sindicais, para a classe trabalhadora brasileira.
Segundo, meus amigos, falo para vocês: no dia 15 de janeiro do ano em que o presidente Lula tomou posse, dias após o fatídico atentado contra os poderes da República, o Lula reunia as centrais sindicais para não somente ouvir, mas para dizer que era muito importante que os trabalhadores pudessem pressionar o governo.
Passados três anos de governo, no curso da luta política eleitoral – e não temos dúvidas de que essa será uma batalha épica –, o presidente Lula novamente nos convida. A classe trabalhadora organizada fez a opção de apresentar uma pauta para dialogar com o presidente Lula.
No exame das coisas importantes, cabe a nós a necessidade de transmitir uma mensagem de solidariedade ao Papa Leão XIV. O Papa disse: “eu não tenho medo de Trump”. Nós temos que dizer: “nós também não temos medo de Trump”.
Nós não temos medo de Trump, mas nós temos que transmitir aqui, nesse ato, uma mensagem de solidariedade ao povo do Irã, que está enfrentando a fúria do império; ao povo palestino, massacrado pelo genocídio de Israel; ao povo venezuelano, e pedir a liberdade de Nicolás Maduro e Cilia Flores.
Eu diria, por fim, que nós temos uma coisa fundamental: reduzir a jornada de trabalho é reduzir a exploração do trabalho. É permitir que a gente possa conviver mais e melhor com a nossa família. É ter mais tempo para os estudos, para a qualificação. Enfim, é colocar o Brasil também na rota de países que já admitem até a possibilidade de uma jornada de quatro dias.
Mas, meus amigos, o presidente Lula fez muita coisa, e todos nós temos consciência disso. Mas o “Deus mercado”, que não sabe o custo do arroz e do feijão no supermercado, fica diuturnamente insultando o governo, pressionando o governo para mais ajuste fiscal.
O ajuste fiscal tem como consequência cortar dinheiro da educação, da saúde, da moradia. Vai para a casa do inferno, demônio do deus mercado. Vai para a casa do inferno! E na conversa com Lula, nós vamos tratar de tudo isso.
Mas tem uma coisa que inquieta: quando as pesquisas batem e trazem quase um certo empate, é porque nós não resolvemos o problema do consumo das famílias – e R$ 3.500 não resolve o problema de ninguém. 95% por cento dos trabalhadores estão ganhando R$ 3.500. Nós precisamos melhorar o rendimento e nós precisamos melhorar a condição de vida do trabalhador. E, se a gente quer fazer isso, o Brasil não pode se dar o luxo de praticar uma taxa de juros de 15%, que é a maior taxa de juros do planeta.
Portanto, nós temos que somar com Lula, somar com parte do empresariado que é contra essa espoliação e dizer: basta. Queremos um Brasil mais humano, menos desigual.











